Blog do Wotzik


09/09/2015


Vai chegar o dia que uma embarcação sairá a um custo tão baixo que todos habitantes do rio de janeiro terão uma. Popular ou não. O rio de janeiro ainda há de navegar. Finalmente teremos o transporte perfeito para todos. Uma cidade litorânea com duas baias, pelo menos duas lagoas, e não sei quantos rios não pode deixar de usar suas aguas como meio de transporte. Conte ao um índio daqueles que receberam por aqui Estácio de Sá, e ele não vai acreditar que não andamos todos de barco no rio de janeiro. Por que diabos essa cidade se chama rio de janeiro, então? Para andarmos de bicicleta? De carro? De jegue? De skate? Metrô? Cipó? Essa cidade abençoada pela litoranearidade não pode prescindir de suas aguas. Então, faço e dou fé que em breve estaremos todos indo trabalhar em canoas, ou pequenos barquinhos a vela, ou motor. E a Voluntários da Pátria se abrirá como um grande canal hidroviário que ligará a lagoa Rodrigo de Freitas à Baia de Guanabara. E pelo costão da Avenida Niemeyer passearemos calmamente para a Barra da Tijuca em canais construídos entre a pedra e o mar, com saídas por mar aberto para aqueles que estiverem com pressa ou estejam mais afoitos. Parece absurdo, mas, e abrir buracos na terra e pelos morros, aterrar rios, mares e lagoas? Sem resolver o problema. Vou sair da minha casa em Ipanema, e me dirigir a praia, ou ao Jardim de Alah. Lá, pegar meu barquinho. Ah! Quem quiser ir remando também pode. Quem quiser ir nadando melhor ainda. E se quiser usar o oxigênio pode escolher entre ir andando ou correndo debaixo d’água. Sem contar na opção de stand up para todos. E tudo isso em aguas lindas, limpas, transparentes e potáveis. Então está feita a previsão/sugestão/solução. Não polui, é saudável, barata, não deforma, e aproveita a natureza da cidade. E um grande beijo a todos vocês, cidadãos, que se encontram “engarrafados” nessa linda cidade sem rio de Janeiro. - Eduardo Wotzik

Escrito por wotzik às 12h42
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24/06/2015


Comecei esse ano perguntando:

 

2015 rima com que?

 

Estamos chegando em Julho,

 

e a resposta que se apresenta,

 

até o presente momento é:

 

2015 rima com Crise.

 


E que se fodam os poetas! 

Escrito por wotzik às 11h07
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MISSIVA A EL REI

 

Informe D. Manoel,

que em Terras Brasileiras,

514 anos passados,

não há poste que não tenha sido mijado.

 

Diga ao Venturoso, que o mundo continua patético.

Que os filhos da puta, já tem filhos putos, e netos escrotos.

Os maus venceram.

E os bichos perversos estão todos em cargos de comando.

Que aqui como lá, em se pagando tudo dá.

 

Que depois da Burrificação, da Miseralização,

Dos tempos da Ignorância,

chegamos a Era da Estupidificação. 

 

(Explique ao Rei, que sendo a Era essa,  e ele português,

Que estupidificação é a edificação da estupidez),

Que o regime que usamos não é mais monarquista, e sim petista,

Que eles tem em comum o uso do favorecimento como moeda.

 

Se precisar desenhe, ao rei de Portugal

Que remédios há, mas se morre igual.

Que a vida melhorou,

Sem caravelas,

navegamos pela nuvem.

Já morremos aos cem anos, mas não sabemos como aproveitar esse milagre,

Palmeiras, nem sombras, muito menos Sabiá,

Há menos poeira, menos agua, já chegamos a Lua,

mas também não sabemos como aproveitar esse milagre.

 

Pergunte a Sua Majestade,

Onde diabos foram parar as fadas medievais,

e suas varinhas de condão?

Porque os dragões e os diabos, nós sabemos.

 

Por fim, o cutuque se ele dorme,

Que homens de bem contam-se nos dedos,

interrompa seu bocejo,

Que a informação mais importante vem agora:

Cinco séculos passados,

pois, ora pois pois, pasmais,

não se nota mais,

diferença entre animais,

vegetais e minerais. 

Escrito por wotzik às 10h00
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PERDENDO O TEMPO

 

Você já se perguntou?

 

O que será que estou fazendo aqui?

 

Por que será que estou passando por isso?

 

Você já se viu assim, olhando em volta,

 

o entorno estranho...

 

atrás de um motivo,

 

uma mínima faísca que sinalize a luz?

 

Desinteressando. Em névoa.

 

Sem foco. Nada fixa.

 

Tudo em movimento e você parado.

 

Gerúndio desfocado. O tempo ventando.

 

Seu corpo descolado da figura e do fundo.

 

Sem respiração. Como se a morte passasse em volta do seu vivo.

 

Ou se a vida passasse em volta do seu morto.

 

Contando os piscos. A mão suada.

 

Os pés gelados. A boca seca. A barriga inchada.

Escrito por wotzik às 10h00
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O observador que observa o observador que observa o observador que observa o observador que observa, é o deus que procuro. – Eduardo Wotzik

 

 

Escrito por wotzik às 09h59
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13/01/2013


QUERIDOS AMIGOS, CAROS LEITORES: TENHO POSTADO MENOS AQUI POR CONTA DE TER AGORA UMA PAGINA DENTRO DO FACEBOOK: www.facebook.com/blogdowotzik PASSE LÁ, FIQUE FREGUES. GRANDE ABRAÇO EDUARDO WOTZIK

Escrito por wotzik às 13h50
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06/07/2012


Nesse momento, vou deitar em graça,
e me abandonar em massa e água, 
em pele e osso, no ar, 
em devoção e agradecimento,
e evoluindo, 
desaparecer sem eixar vestígios,
expandindo e rindo,
estilhaçando e chorando.

Água do fundo do poço
foi lá que refletiu meu rosto 
depois que você me deixou.

Escrito por wotzik às 07h57
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Se vou falar de sexo, sou obrigado a me lembrar de uma histórinha da Lispector, de um menino pré-adolescente que viajava em excursão num ônibus com seus colegas de escola, quando começou a sentir sede. Brincavam, cantavam, gozavam uns aos outros, mas a sede não passava. Engolia cuspe, e não passava. Uma sede insaciável, dessas de fazer sonhar. Até que o ônibus parou no meio da estrada diante de uma fonte. Todos desceram os degraus numa zona tremenda, e o menino, mais que imediatamente, saiu correndo em direção a fonte, que tinha o formato de uma boca de mulher, por onde jorrava a água. A sede era enorme, e o menino então, enfiou a boca naquele espaço, e sentiu finalmente a água penetrando sua boca, e encharcando seu rosto, e foi então que ele sentiu pela primeira vez vindo de seu corpo, uma onda de prazer que não conhecia. O menino com sede estava tendo sua iniciação, seu primeiro contato com o desejo, sua primeira relação sexual. Que beleza a Lispector. Que poeta. Comigo foi bem diferente. Eu ainda não tinha sede. Eu gostava de jogar bola. E era nisso, que colocava toda a minha energia, e pensamento. Mas todos os meus amigos já tinham essa sede, ou pelo menos fingiam ter. E se gabavam sigilosamente disso, e eu, odiava ficar por fora dos assuntos. Eu sei que, empurrado pela turma, acabei um dia indo com todos eles à Casa Rosa. Era lá que jovens da classe média carioca iam, para satisfazer os desejos dos pais, de poder dizer que o filho, já tinha lhe pedido dinheiro para ir. E exibir aquele pacto orgulhoso de sigilo: “Meu filho, é homem!”, podia gabar-se o pai a seus amigos, e também tranqüilizar a mãe, quanto à escolha sexual do filho. Eu acho que nem sabia direito o que ia fazer lá. Quer dizer, eu sabia, mas é que naquele momento transar não era lá minha prioridade, vamos dizer assim. Mas fui. Pedi dinheiro pro meu pai que me olhou satisfeito, como fazem todos os outros pais, talvez com maior timidez do que todos os outros pais, mas o importante é que eu sabia que ao fazer isso, estaria dando a ele enorme alegria, e motivo de orgulho, tanto que na semana seguinte, minha tia já deixava escapar que sabia do ocorrido, o que significava que minha mãe também, meu irmão, e todo o resto da família, o que significava também, expectativa e cobrança redobrada para com meu irmão que era mais velho, e meu primo que tinha apenas oito meses de diferença, coitados. Muito emblemático, que toda vez que me meto em alguma situação para qual não estou preparado, o mundo fica embaçado, e estranho. De modo que, a subida à Rua Alice estava assim, um nevoeiro baixou por lá naquele dia, misteriosamente, de maneira que tudo me parecia extremamente tenso e desconfortável, espontaneidade zero, tudo meticulosamente estudado. Chegamos à Casa Rosa, e lá estavam umas moças num lugar meio escuro, uma sala embaçada, vermelha e estranha. Eu não sabia o que tinha que fazer, mas percebi que meus amigos aos poucos iam escolhendo uma, e sumindo da sala. Então, acho que fiz o mesmo, e fui para o quarto com uma das moças. Eu não estava entendendo nada, só sei que ela começou a me tirar a roupa, e me fazer carinho, e não deu três minutos, eu tinha ejaculado. Não vou dizer gozado, que isso seria muito, diante daquele tribufu. Ela, então, levantou da cama, e já ia saindo, quando percebi que algo não estava certo. Me disse que eu já tinha gozado, que então tínhamos terminado, e que então podíamos ir embora, e então um desespero se abateu sobre mim. Como é que eu ia embora, se ainda nem tinha metido? O que eu ia dizer aos meus colegas sobre a minha primeira vez, se eu nem tinha feito nada? Eu tinha ido lá pra trepar. O que teria adiantado todo aquele esforço, se eu não saberia, nem poderia contar como era que se trepava com alguém? Resolvi contar pra moça que aquela era minha primeira vez, e tenho a impressão que ela se apiedou de mim, e então, me deixou colocar em sua xoxota, (engraçado que não existia esse negócio de camisinha que virou mania mundial anos mais tarde para o bem e saúde de todos, claro). Então, que eu a fudi meio sem graça, e sem vontade nenhuma, numa burocracia de repartição pública, e então, ficamos lá mais alguns momentos fazendo aquele fuc fuc sem graça. Mas o fuc fuc não era de jeito algum o mais importante mesmo. O mais importante é que pude sair de lá, aliviado podendo me “gabar” pra todo mundo, que tinha transado duas vezes, e eles uma. Que iniciação! Desci a Rua Alice com a certeza do dever cumprido. Tinha conseguido impressionar meus colegas, e teria o que contar a meu pai, o que jamais fiz, porque ele jamais perguntou. Desci desanuviado, mas com uma noção absolutamente pervertida do que era o sexo. Tenho certeza de que essa primeira experiência foi determinante para minha total descompreensão do que fosse trepar. Tanto que passei anos para me livrar dessa sensação de que o sexo era assim. Anos e anos para descobrir o sexo como encontro de almas, como troca de afetos, como desejos que se encontram com o objetivo de dar prazer ao outro, como o encontro de um corpo sedento com uma fonte de água. 

Escrito por wotzik às 07h55
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29/06/2012


 

Acho que não falei que fui atleta. Federado, como se dizia. Jogava futebol de salão. Era goleiro. Campeonato Carioca. Sétimo, oitavo lugar. Cada goleada que tomava! 7x1, 8x2, o que dá para imaginar que eu, goleiro, tinha trabalho. De pegar a bola dentro do gol. Mas, eu era animado. O mais animado. E atirado. E adorava dar pontes, espalhafatosas, chamativa , e ouvir meu nome gritado pela torcida. Mas, um dia, a barra foi pesando, os jogos eram aos domingos pela manhã, e contra cada time do subúrbio, e em cada quadra barra pesada, que ganhamos um jogo, entramos na Kombi para ir embora, e a torcida local, e adversária, começou a jogar pedras, e tentar virar a Kombi. Meu pai, ficou sabendo, aproveitou meu recente interesse pelo voleibol, e induziu a troca. Tudo bem. Larguei o gol, e comecei a me dedicar a outra rede. Aí, fui Campeão Carioca Mirim, Infantil, Infanto Juvenil. Campeão dos Jogos Universitários e dos Jogos Estudantis. Eu sempre tive muita facilidade para qualquer esporte com bola. Mas, de repente, o vôlei cresceu de estatura, se profissionalizou, e eu que não era lá muito alto, e já não agüentava mais aquelas conversas de vestiário masculino, fui tratar da minha vida, e passei o vôlei para o espaço do lazer. Mas, jamais parei de jogar, e quando paro de fazer exercícios, por um tempo, me sinto sutilmente deprimindo. E aprendi que se você está mal vai malhar, se está bem pode relaxar. Não tem nada mais prazeroso do que estar em forma. Se sentindo em forma. Quando o corpo em total ação, em estado de presença, inteiro, corta uma bola. Ou, quando se acerta o tempo de uma levantada. Não há. Ou, quando se faz uma defesa impossível, salva uma bola dada por perdida, dá um peixinho. Meu Deus, que prazer. Que delicia. Outro dia eu disse, claro que de brincadeira, que a vingança do homem em relação a mulher, pelo fato dessa ter o dom do prazer do parto, e ele não, é ter o dom do prazer do gol, que a mulher mesmo que pratique o futebol, jamais vai entender. Jamais vou esquecer da inteireza e integridade e espírito de total prazer e doação que tinha no movimento do saque do Marcelo Negrão, que nos deu o título de Campeão Mundial na Olimpíada. Ou a alegria com que esse mesmo time, comemorava cada ponto. Quando comecei a fazer teatro, achava que ensaio era treino, cada espetáculo um jogo, o diretor, um técnico, e não entendia como que atores queriam fazer coisas bacanas sem repetir aqueles movimentos a exaustão. Treinar. Treinar. Treinar. E acho que é assim a vida. Treinar. Treinar, treinar. E celebrando. Porque há de se gostar muito. Um famoso ator, que me perdoe a memória, disse uma vez, que a vida devia ser duas, uma pra ensaiar e outra pra viver. E eu achei o máximo a idéia. Tempos depois, me contaram, que outro famoso ator, tinha respondido a frase, dizendo que não ia adiantar nada, que a gente ia errar de novo. E, eu também achei o máximo. E, como são só, doces e deliciosas conjecturas, posso me dar o luxo de apreciar as inteligências das frases. E continuar confundindo, treino com ensaio, ensaio com treino e treino com a vida, buscando celebrar cada ponto conquistado. Fazer uma ponte também é bom, mas, isso vou deixar para fazer amanhã, de manhã, na praia, que o chão lá é mais fofo. Ponto!

 

Escrito por wotzik às 11h40
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19/06/2012


Pra você estou sempre on line.

Escrito por wotzik às 13h43
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Fizemos amor e eu te olhei no olho e eu sorri e te sorri e sucos juntos tinha tanta verdade e tantos sons bons e tantos gritos e tantos mantras e me lambia tanto e me beijava tanto e memória tanto e tanta cara de dor e pranto e rostos de risos e prazeres lindos e gargalhávamos tanto e movimentos bruscos e cada gesto lento tanta substancia havia e adjetivos fora éramos Eros e éramos psique e éramos Eros ora psique e ora Eros que você não agüentou e amores éramos. 

Escrito por wotzik às 13h41
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04/06/2012


Olhei para dentro e não gostei do que vi.

Escrito por wotzik às 22h51
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31/05/2012


Quiz

O professor distribui a prova. Primeira questão: Quem descobriu o Brasil? O aluno se confunde e escreve Pero Vaz de Caminha. Entrega a prova. Toca a campainha, o professor sai da sala, e já no corredor o aluno está lá dizendo que tinha se confundido e que era obvio que a resposta certa era Pedro Alvares Cabral. Muito bem. Você acha que o professor deve considerar a resposta do aluno como certa ou errada?

Escrito por wotzik às 21h42
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24/05/2012


Outro dia, estava parado de carro no sinal, quando um sujeito, até que bem vestido, atravessou a rua, e deu um murro no capô do meu carro. Eu, puto, abri a janela, e falei com perplexidade contida: “ô meu irmão, por que você fez isso?!” O cara veio andando na minha direção, me olhou e disse, bêbado: “vai pra casa rapaz!” Eu tenho que confessar: tive medo. Medo de levar um tiro. E tremi. Nos poucos segundos que levou sua vinda na minha direção, me arrependi profundamente de ter reclamado da sua atitude insana, e vi a morte de perto, e achei que ia morrer. Vi o cara sacando de um revolver, e me dando um tiro assim, sem mais nem menos. Eu vi, e senti, e é assim que ando vivendo e sentindo. Antigamente, se alguém me esbarrasse, eu empurrava de volta, levava uns socos e saíamos os dois machucados. Hoje, se alguém é empurrado, é capaz de levar um tiro. “Morreu por que, meu filho?” “Porque esbarraram em mim, e reagi.” Fim. Morreu de esbarrão. “Atropelado por uma carrocinha de chica-bom”, como diria Nelson Rodrigues, quando queria citar a morte ridícula de alguém. Eu, até andei propondo, se não tem jeito, se vai atirar mesmo, uma campanha a favor do tiro no pé. Isso mesmo. Pelo amor de Deus, pare de atirar para matar. Atire pra assustar, pra ferir, de raspão. Falei outro dia pro meu filho: se um menino maior que você vier pegar sua bola, entrega, tranquilamente entrega, e ainda diz que foi o papai que mandou. Ah! Lembram do Posto da praia que ficaram reformando durante todo o verão. Pois ficou pronto. Com a escada virada para a calçada. Se o Salva Vidas vir alguém se afogando, ou roubando, e achar que é sua obrigação salvar o sujeito, vai ter que correr para trás, passar pela catraca, pagar um real, fazer uma curva de 180 graus para então chegar na areia. Ô vida! Tudo anda ao contrário. Acordar de ponta a cabeça é o jeito. E de ovo virado é que é o certo. Quanto pior melhor. E viva as Xuxas, as Dickermans, os cachoeiras, os rios que correm para cima, o Ministro da Justiça que defende o contraventor que já está preso.

Escrito por wotzik às 10h02
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19/05/2012


Deixa eu compartilhar essa experiência. Experiência daqueles dias que dão nó. De uma quarta à tarde, quando, eu estava um cocô. Eu não gosto muito da expressão, mas é sem dúvida, a que melhor resume. E não estava, eu era, um cocô. Tinha acordado assim. Angústia pura. E percebido. E tentado dormir mais um pouco, que era pra ver, se acordava melhor. E meditado. E caminhado. E trabalhado. E tentado todos os caminhos. Já tinha feito de tudo, e não melhorava. O peso voltava. A cabeça lotada. Todos os pensamentos, que tinha, chegavam ao monstruoso. Todos os raciocínios previam desastres. Nada se resolvia. E ficava dando voltas, até chegar no nó. E a agonia. E dava outras voltas, até encontrar o nó, again. E pesado, muito pesado. Eu era a crise. Tinha esponjado, finalmente, todas as merdas do universo. Tudo de ruim, que observava fora de mim, agora, encontrava em mim. E sentei. Arrego. Desisto. Pinico. Chorava de solidão. Sem lágrimas. Cego. E olhando pro retrato do guru que ficava em cima da minha mesa, me veio a mente uma frase que minha mãe vivia repetindo pra mim: “eduardo, entrega na mão de Deus.” A frase era da minha mãe, mas surgia, enquanto eu olhava para o guru. Minha mãe usava a imagem do guru para se comunicar comigo. Chorei. E comecei a repetir a frase, como um mantra, e, para minha surpresa, toda minha angustia começou a se dissolver, como um passe de mágica, e passei um dia inteiro, exercitando a frase, tentando me driblar, e em dois dias, um caminho novo se abriu. Foi como se eu tirasse de dentro de mim, culpa e responsabilidade. Entregando na mão de Deus, ia me aliviando. Me libertando. Respirando melhor. Enxergando mais nítido. E ganhando leveza. Meu corpo respondia leve, ia ficando mais solto, mais feliz, dissipando as dúvidas. “Entrega na mão de Deus”. Achei que estava suficientemente maduro para deixar o meu destino na mão do Mistério, e simplesmente, viver. Maduro para entender o desapego. E viver pra frente. E acreditar. Sempre. Mesmo que seja como dizia Lispector, “acreditar chorando”. Que, Deus está em mim. Mas, eu, não sou Deus.  

Escrito por wotzik às 14h59
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18/05/2012


A burocracia. Andei pensando sobre isso. O funcionário público vê um buraco aberto, onde de hora em hora cai alguém. Então, ele quer tapar aquele buraco. Mas não pode. Tem que fazer uma petição, para abrir uma licitação, para uma concorrência entre firmas, que tem três meses para apresentar o projeto, que será julgado em seis, e que fechará o buraco, (se nada for engavetado, todos os papéis estiverem perfeitos, e ninguém entrar com recurso), em um ano, quando milhares de pessoas já terão caído, ou morrido, ou se arrebentado e parado no hospital público causando enorme prejuízo ao Estado. Enquanto espera, e vê pessoas caindo, diariamente, diante de seus olhos, sem poder, simplesmente, ir lá e fechar o buraco, o funcionário público, assiste crescer dentro de si uma angustia, que poderá fazer dele um insensível (um burocrata), ou um homem que padecerá em breve de alguma doença psicossomática, que o internará num hospital qualquer do governo, causando novo prejuízo ao Estado. De outra forma, a burocracia age no homem comum. Uma amiga acaba de me contar que acordou no meio da noite ouvindo gritos de socorro. E levou meia hora discutindo com o marido se deviam se meter, ligar para a policia, bombeiro, se envolver, até que os gritos pararam, e foram todos dormir, e até agora, ela não sabe o que aconteceu, nem se o sujeito morreu, mas, o importante é que ele parou. Esse emaranhado de medos que se instalaram nas pessoas, e que emperram a ação, chamo “burocracia psíquica” e foi injetada lentamente dentro de cada cidadão brasileiro, que assiste diariamente o funcionário público angustiado, vendo as pessoas caírem no buraco. 

Escrito por wotzik às 09h13
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17/05/2012


Cheguei no consultório do meu psiquiatra um dia, e ele tinha marcado cinco pacientes para o mesmo horário. O cara tava pior que eu. Tava precisando de ajuda. De outra vez, quando cheguei lá, disse que não podia me atender porque um paciente tinha se suicidado. Ah, que beleza! Era tudo que eu queria ouvir naquela manhã de sol. E ainda se despediu perguntando: “Tudo bem com você?” Ora, se estivesse tudo bem eu não estaria lá. Se estivesse tudo bem, e supondo que eu tivesse ido até lá por puro masoquismo, agora, com essa noticia do paciente suicida, é que eu não estaria bem mesmo. É incrível! O cara é péssimo. Mas tem funcionado, e eu continuo indo lá. Não tem dependente químico? Então. Tem dependente terapêutico, psiquiátrico, dependente médico, tem dependente pra tudo...  e eu já não estou entendendo nada dessa história que to contando aqui.

Escrito por wotzik às 11h03
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16/05/2012


Eu não sou uma pessoa modesta. Nem com os meus defeitos, nem com as minhas qualidades. Pior. Sou cruel com minhas imperfeições, e quanto às qualidades, acho que não faço mais que a obrigação. “O ser humano é imperfeito por natureza”, disse Lacan, pela boca de Garcia Roza em meio a uma aula de Psicologia, causando um choque terrível na turma e, mais especialmente, eu me lembro bem, em uma senhora da primeira fila que, indignada, não podia acreditar naquilo que ia de encontro a todos os valores cristãos pelos quais se formara. “O ser humano é imperfeito por natureza”. E mais uma vez uma frase ficava martelando na minha cabeça. Quer dizer que sou imperfeito por natureza. Que alívio. Tem umas imperfeições da qual até me orgulho. Outro dia, encontrei uma antiga namorada que me tinha feito uma puta sacanagem na hora exata em que estávamos terminando. Estávamos terminando. Difícil. Mas estávamos. E então, ela me traiu. Pior. Jantou na minha casa. Saiu. Disse que tinha uma festa. Eu disse que ia dar aula, e que talvez, fosse lá também, depois. Pois bem, acabou a aula e resolvi ir até a festa. Cheguei lá, e ela tava se pegando com um menino. Sem o menor cuidado. Me viu, e continuou. Embaçou. Fiquei desesperado. Arrastei ela de lá, e a depositei em casa. Fiquei louco. “Ficou louca?” Arrasado. Perplexo. “Pra que isso?” Suava em bicas. Passava mal. Fazia todos os números de ciúme que um homem pode fazer, e tudo a meio tom, que estávamos na cozinha da casa dela, e ela morava com os pais, e ninguém queria acordá-los para explicar o acontecido, óbvio. Então, eu gritava entre dentes. E batia nela sem machucar. E chutava as coisas sem tirá-las do lugar. E batia em mim. E não adiantava. Eu não sabia o que fazer. Névoa. Não sabia o que fazer para agredi-la. Para machucá-la. E crispava as mãos sobre o rosto. E urrava pra dentro. E tudo que eu fazia me parecia insuficiente. Deixei ela lá. Fui pra casa. Mal. Péssimo. Machucado. Muito machucado. Nevoeiro total. Não conseguia entender por que ela tinha feito aquilo. Que burrice. E na minha frente? Num lugar que tinham amigos em comum? Eu queria me vingar. Me vingar, não. Eu queria matar ela. Mas eu não ia matar ela. Que eu odeio violência. Desde aquele episódio dos beliscões, que a violência me horroriza. Me fez uma bicha. E tudo que eu pensava em fazer, era também insuficiente. Até que descobri. Descobri a única coisa que eu poderia fazer. A maior sacanagem que eu poderia fazer com ela, ou com qualquer pessoa que me fizesse mal: nunca mais falar com ela. Descobri, que o maior castigo que eu podia oferecer a alguém, se eu me amo, e nessas horas é muito importante se amar, o maior castigo é privá-la de mim. Então, não vai mais me ter. Simples assim. Foda-se. “O ser humano é imperfeito por natureza.”Passaram-se sete anos, e nos reencontramos, e, no momento em que você acha que está envelhecendo, que começa a contar o tempo, ele vem, e te dá uma rasteira, e te mostra o quanto ele pode ser belo. Pois, nos reencontramos. Em pé, diante de uma loja de sucos. E, eu já não sentia nada de ruim por ela. E conversamos naturalmente. E, eu senti nos seus olhos, que eu tinha feito falta. Senti nela um profundo arrependimento, que só o amadurecimento trás. Eu, a tinha deixado, sem mim, por sete anos. E ela, me olhava, e me dizia da falta que eu fiz. E eu senti uma enorme saudade dela, da pessoa dela, do amor que eu tinha por sua pessoa, e do quanto nos divertíamos. Senti o tempo curador. E, sete anos depois, meu coração, bombeava mais livre um pouquinho. Como se cada desilusão, tivesse deixando marcas. Tem gente que já teve tantas, ou uma tão profunda, que ele quase que nem bombeia mais. Eu nem tive tantas assim. Mas tive. E é muito bom, muito bom, quando o tempo recupera, e libera as células tensionadas. Me lembrei de uma historinha chinesa, que diz, que a forma mais violenta que se tem para atingir um adversário, é magoando seu órgão. Esses chineses sabem tudo. Eu, ainda muito pouco. E sem essa acuidade sábia, tenho me retirado da vida de quem não me quer. É quase óbvio. “O ser humano é imperfeito por natureza.”

Escrito por wotzik às 14h20
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15/05/2012


 

"E tem um vigia de um prédio em Ipanema, que trabalha lá, na quadra da praia, há trinta anos, chega de ônibus as dez e sai às seis da manhã, e nunca viu o mar."

 

Escrito por wotzik às 09h44
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11/05/2012


COLO DE MÃE
Na casa da sua mãe se come macarrão ou pasta?
Filet mignon ou bife?
Serve jantar ou janta?
Come na mesa ou no colo? 
Suco ou jarra de refresco?
Extrato de tomate ou tomates frescos?
Gelatina de sobremesa?
Tem travessa ou panela na mesa?
Na casa da sua mãe, a empregada atende pela campainha, ou é no berro mesmo?
Tem um copo para cada coisa, ou vai o de geléia e requeijão?
O uniforme da faxineira já foi a roupa nova do seu irmão?
Na casa da sua mãe, 
limpa o chão com perféx, ou com aquela sua camisa que você não quer mais?
Os pratos bonitos são para servir a mesa ou para enfeitar a parede?
Quando você anda pela sala tem espaço, ou você tem que desviar dos moveis que eram da casa da sua avó,
e a sua mãe não tem coragem de se desfazer?
Ainda tem vitrola, na casa da sua mãe?
Três em um?
Cassete?
Vitrola, três em um e gravador cassete?
Vídeo?
O gás acende com fósforo?
O fogão com magiclick?
O forno com o jornal?
Na casa da sua mãe.
Tem um paninho embaixo de tudo?
Iodo? Minancora? Caladryl? Leite de Rosas?
Polvilho Anti-Séptico Granado, que é chique de dizer?
A estante e a mesinha de centro estão entulhadas de cacarecos?
O seu antigo quarto, onde você dormia, virou um nada?
Quantos trincos e trancas tem na porta da casa da sua mãe?
Papel de parede não tem mais na casa da sua mãe.
Você tem que limpar os pés no capacho?
Coloca o açúcar e mexe com a mesma colher?
Tem lâmpada econômica na sala?
Capa no sofá?
Bidê?
Sua mãe como é que anda?
Seu pai ainda está por lá?
A empregada vê novela com a sua mãe?
Tem formiga na cozinha?
Perereca na vizinha?
Pão com margarina?
Pra "mim" fazer? 

Escrito por wotzik às 12h33
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08/05/2012


RETRATO DE UMA GERAÇÃO

Já bem velhinho ele acordou no meio da noite para ir ao banheiro. Na volta ia se deitar quando percebeu que tinha deixado a luz acesa. Pediu ao corpo para voltar. Voltou. Procurou um pouco pelo interruptor, achou, Apagou a luz, tateou a saída, deitou na cama, fechou os olhos, e dever cumprido, satisfeito morreu. - Eduardo Wotzik

Escrito por wotzik às 13h01
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03/05/2012


Praia no rio

Quando você chega na praia e vê aquela confusão armada, logo pensa que aquilo não tem uma lógica. Pensa que aquilo é organizado pelo caos. Ou pensa que aquilo não é organizado. Engano seu. Basta chegar antes de tudo e observar. Quando você chega na praia e vê aquela multidão você jura que tudo se organizou em função do mar, ou em função dos quiosques, ou das redes de vôlei, ou da temperatura, ou daquele pobre e solitário coqueiro que uma sombra dá. Engano seu. Basta chegar antes de tudo e ver. Quem determina a disposição das coisas na praia é a ordem de chegada de cada uma das belezas que serão citadas abaixo. Para entender melhor como isso se dá, e já imaginando que você não vai acordar mesmo cedo para ver como se forma o fenômeno, eu explico. Do inicio: imagine. Uma praia. Um pedaço de praia. Vazio. Tranqüilo. Silencioso e deserto. Chega uma mulher. Linda. Não dá dois minutos senta um cara para ler jornal. Do lado. Ela estende a canga. Gostosa. Dois minutos, e um sujeito pede para ela tomar conta das suas coisas enquanto ele vai dar um mergulho. Passa o cara do mate e biscoito. Para. Descansa. O do sorvete senta na caixa, e imediatamente finge que olha o mar. Volta o homem das coisas guardadas. Agradece e sem saber mais o que dizer se arruma a dois passos da moça. Ela deita. De bruços. Uma escultura de gente. Vem um homem com sua cadeira e senta. De butuca. Uma barraca um baldinho, e imediatamente, surge um pai com o filhinho. Ela levanta. Vai pra água. Já três rapazes jogam altinha. Outro de óculos escuros posa em pé. Ela retorna. Molhada. Montam uma rede. De futevôlei. Outra de vôlei. Tudo imediatamente. Ela reforça o protetor. Resolvem jogar frescobol bem ali. Dois salva vidas. Um marombeiro. Um barraqueiro vem oferecer um coco. Dois garotões para fumar um. Quem passa tropeça na calçada. Surge um coqueiro do nada. E aquele pedaço de praia antes vazio vai imediatamente se enchendo de homens em volta da moça enquanto um aviãozinho desses que leva uma faixa escrito “ o carioca sabe o que é bom”, passa com o piloto debruçado olhando e acenando para ela. E é assim, que noutro pedacinho deserto de praia chega outra linda mulher e o mesmo se dá.  E no outro também, e no outro também, e no outro... 

Escrito por wotzik às 11h12
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Eu acredito no Deus que criou o Homem,

E acredito no Deus que o Homem criou.

Escrito por wotzik às 11h11
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27/04/2012


Eu não acredito no Deus que criou o Homem,

acredito no Deus que o Homem criou.

Escrito por wotzik às 12h39
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PROSA POÉTICA

Devo confessar que tenho sentimentos retardados. Não sinto nada na hora. Só depois. As coisas acontecem, e eu nem percebo, ou se percebo, não sinto na hora. Se é uma despedida, sinto um vazio. No dia seguinte, um alívio. Depois, sim, a falta, o desespero, e a vontade de me matar. Mas, na hora, parece que fico meio paralisado, meio sonolento, meio embarrigado. Um grávido. Um troço assim, meio coisa nenhuma, o que deixa quem está em volta na maior irritação. É que eu sou todo “desespontâneo”. Todo depois. E não me façam perguntas, que eu não sei responder ainda, que aí então, é que eu fico gago. Viro um troço que fica ruminando uns sons que não se constrói em palavras de jeito nenhum. E fico tímido, e me percebo assim. E é aí que coisa piora, que eu acabo respondendo qualquer coisa, que, definitivamente, não vem do meu silêncio. E é aí que o outro percebe, e fica impaciente com minha total falta de atitude, e eu fico ainda mais impaciente comigo e, bum.

Mas se diante da situação de não saber responder,

respiro, e digo afirmativa, e definitivamente,

“não sei, ainda”,

e ouço o silêncio que acompanha o seguir,

a resposta vem, clara, calma, certeira, e única.

Que o afogado se afoba. O afobado se afoga.

E a gente tem mesmo é que continuar nadando.

Escrito por wotzik às 12h21
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26/04/2012


 

Tem dias que acordo fora de foco.

Vou à praia e ninguém me vê.

Vou almoçar fora e ninguém me enxerga.

Vou a uma estréia e ninguém vem falar comigo.

Vou a uma festa, e é como se eu não estivesse lá.

E isso de estar não estando, já aconteceu tantas vezes,

que, hoje sou capaz de me perceber nesses dias, e rir. Que jeito.

E não há nada que eu consiga fazer.

Todo esforço para entrar em foco soa falso e representado.

É que eu recuo. Ou me adianto.

 

Tem gente que está sempre em foco.

Tem a capacidade de, onde quer que vá,

levar consigo um refletor, um microfone e um palco.

Se vai a uma festa, é a festa.

Eu não.

 

Queria saber estar sempre na mão do mundo.

Não deprimir, nem ansiar diante do fluxo.

Não estar nem atrás, nem na frente dos acontecimentos,

concentrado nos passos que estou dando.

Queria.

 

Escrito por wotzik às 09h12
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25/04/2012


MACBETH

Essa história tem como titulo “Macbeth”, e espero que vocês entendam porque. Aconteceu faz tempo, num dia remoto, em que fui convencido por uma namorada, e a amiga da namorada, (a categoria existe, e em geral elas são mais legais do que a sua namorada mas você infelizmente não se apaixonou por ela), que devíamos ir a Niterói, falar com Fulaninho, que de repente, quem sabe, ele dava uma grana pra se fazer a peça que queríamos, que a amiga da minha namorada conhecia um cara que conhecia ele. Fui. Niterói. Fiquei uma hora e meia esperando o cidadão chegar no diretório do partido. Até que ele. Ele chegou, e foi tomar um banho no andar de cima. Precisava se lavar. No salão, em baixo, todos esperavam. Uma reunião, com os agentes da cultura. Desceu. Foi diretamente para a mesa de debates, onde seus correligionários discursavam. Candidato a Prefeito de Niterói seria o último a discursar. Chegou, enfim, a sua vez. Levantou-se, e suando muito, começou a falar. Disse duas palavras, interrompeu, pegou um copo d’água, e deu um gole. Uma sede danada. Imediatamente, outro. Ia continuar, quando sentiu nova sede, e antes que colocasse o copo de volta à mesa, levou-o a boca. Pediu desculpas, disse que estava emocionado. Voltou a falar. Calmamente. Sem ritmo. Sem jeito. Desculpou-se, novamente. Disse que estava muito emocionado, e que daqui a pouco mais, pegaria o discurso no embalo. E assim foi, de forma que em poucos minutos, entre um gole de água e outro, que a sede não passava, foi aumentando sua ênfase, até que resolveu finalizar, propondo que viessem à mesa, todos aqueles que o apoiavam, para que juntos, tirassem fotos, dizendo que ninguém fazia nada sozinho, que se sentia protegido por todos que o apoiavam, vereadores candidatos, vice-prefeito, chamou a mulher do vice-prefeito, e um cantor de renome que estava ali presente, e que fez questão de frisar ser seu primo. Acabado o discurso entre palmas, e mais copos d’água, veio em minha direção perguntar o que queria. Eu tinha ido lá para ver se ele se sensibilizaria em patrocinar meu espetáculo, que se assim fosse, faria sua estréia em Niterói. Sentamos num reservado. Mal sentou foi dizendo: “Mataram Sardinha. Nove tiros. Um policial. Mistura de policial e bandido.” E riu. Seus olhos marejavam, estranhamente, marejavam para dentro. Jamais havia visto nada assim. Falei do meu projeto. Ele ria. Falou que me ajudaria no que fosse necessário. Interrompeu um assessor. Destes. Entregou um celular ligado, que ele apanha, e sai falando: “Mataram Sardinha. Nove tiros. Será que morreu?” E ria. “Você não quer patrocinar uma peça de teatro?” E ria. Desliga. Diz que era o dono de uma universidade que está ajudando na campanha, e que depois falaria com ele com calma, e com outras firmas que lhe deviam favores mais agora que, tinha certeza, iria se eleger. Outro assessor. Ele diz: “E o sardinha?” O assessor. “Que que tem?” “Morreu. Mortinho. Nove tiros. Vou chorar muito.” “Mas quando é que foi? Eu estive com ele hoje a tarde!?” E riem. Levantei-me para me despedir e delicadamente fui me afastando dali de volta pela ponte Rio - Niterói, em direção ao meu mundo, o mais rápido que pude. Tinha entendido. Ele ia jantar. Com a família. Antes, tomaria outro banho. E lavaria as mãos. E beberia água. E mais água. Eu, não tinha dúvida: ele tinha mandado matar o sardinha.

Escrito por wotzik às 09h11
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24/04/2012


Fui porque quis

Feliz

porque precisava de uma luz

porque precisava saber o que está errado

fazer umas perguntas que não sabia quais

e obter respostas que me guiassem a vida.

Enfim fui, e me senti bem.

Fui para estar bem.

Porque minha mãe mandou.

Fui para não ser como meu pai.

Para provar, que sou capaz de evoluir só.

E Perguntei se Deus era bom.

Perguntei para quem existo.

Perguntei por que tinham me chamado lá.

Chorei lágrimas ácidas,

e descobri que minha conversa não é comigo,

não é com os homens,

nem com mestres ou gurus, mas com Deus.

Descobri que é dele que desconfio.

Creio num Deus que me maltrata,

que me faz sofrer, e a meus semelhantes,

então, creio-o mal,

não gosto dele e o abandonei,

aos poucos, ao longo da vida.

Máscaras fora,

a verdade é que briguei com Deus.

E, só eu e ele, podemos resolver essa parada.

Parada mesmo, porque parei.

Em diante não sigo, não passo.

Tenho que resolver essa parada já.

Então, há um Deus bom.

Que gosta de mim.

Que me ama.

Me deseja.

Um Deus feminino.

Provedor. Uma mãe a quem servir.

Então,

ele é minha mãe que foi ter com ele. Ou que foi ser ele.

E é para ela que servirei em saudade.

Minha mãe é meu Deus bom.

Deus tem cara figura da minha mãe.

Ela foi ser ele, para que eu me encontrasse com seu amor mais profundo.

Com aquele amor infinito transbordante,

impossível de se viver entre os homens,

amor, que fiquei devendo com infinito egoísmo.

Escrito por wotzik às 09h32
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23/04/2012


Sempre tive medo das más noticias. Medo das más noticias. Tocava o telefone, era má noticia. Aparecia uma carta debaixo da porta, má noticia. Alguém me dizia: “Preciso muito falar com você, já imaginava o pior. Se alguém ia viajar, rezava para que nada acontecesse. Programava ir a praia, achava que ia chover. Se ia a algum lugar, tinha que saber como voltar. Se me interessava por alguém, imediatamente me imaginava casado. Se me casava, imediatamente, começava a me preparar para a separação. Tenho medo das más noticias. Tinha tanto medo das más noticias, que quando as boas vinham, não havia comemoração, só um suspiro, um alivio de que não tinha sido nada de ruím. Tinha que estar sempre preparado para perder. Preparado para o pior. Dá para viver assim? Dá. Tomando cuidado, dá. Fechando as janelas antes de sair de casa. Olhando sempre pra trás, ao andar na rua. Tendo sempre um guarda-chuva no carro. Uma caderneta de poupança maior que os gastos do mês. Mais de uma namorada. Se casado, uma amante de plantão, pronta pra qualquer emergência. Bom plano de saúde. Velas na dispensa. E papel higiênico a mais. Duas papaiz, dois trincos, uma corrente, e duas fechaduras. Alarme de carro com seguro total. Previdência. Um canudo de Toddynho, escondido em algum lugar da casa.Um cigarro malocado em outro. Três chaves de tudo. Camisinhas. Enfim, dá, mas assim mesmo, tem que prestar atenção, para não ser surpreendido.

Escrito por wotzik às 09h22
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19/04/2012


Me mandaram a lista das vitimas do holocausto. Por causa de um espetáculo que montava. Tive que colocar para imprimir. Sai de casa. Acabei de voltar. É noite. Estou tentando dormir. E continuo ouvindo o barulhinho da impressora. 

Escrito por wotzik às 09h22
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12/04/2012


 

 

Só escrevo se acho que vai servir. Então aproveito que estou dormindo, e sem sono, para anotar alguns sonhos que estou tendo. Num deles, o crítico de teatro mora num antiquário junto com o vinil, o gravador de rolo, a maquina de escrever, o colchão de mola e o mimeógrafo. Foi rapidinho porque logo em seguida, lápis e papel à mão, sonho que um dia as companhias  de teatro seriam iguais aos times de futebol, os teatros clubes, os atores jogadores, e seus preparadores corporais e vocais parte de uma muito bem paga comissão técnica que investe seu tempo estudando e trazendo os conhecimentos táticos necessários para se construir e manter a cena. Que nesse dia serei um técnico da cena, um diretor de futebol, um cara importante pacas que escala, determina a  tática a ser executada, e troca os atores conforme a peça a ser encenada. Um cara bacana, respeitado a beça, que não vai poder andar na rua porque todo mundo vai querer se aproximar para dar palpite, se é melhor cortar tal cena, mexer em certa fala, trocar o ator, porque todo mundo vai se achar um pouco diretor, todo mundo um dia já vai ter dirigido uma peça na escola, e vai se achar com direito de dar pitaco. Seremos os brasileiros, 150 milhões de diretores de teatro. E lá fora, torcida na porta dos teatros, espectadores lotando todos eles, e as casas de cultura, e os centros culturais, e de lambuja, os museus e galerias. Sonhei que um dia vão se formar, filas e mais filas para comprar ingresso, acaloradas discussões sobre Shakespeare, Tcheckov, Ibsen, se Marilia é melhor que Fernanda, se Bibi machucada vai poder estar em cena. A estréia de uma peça será manchete do primeiro caderno, enquanto a economia vai virar nota de rodapé. Noite longa. Novo sonho começa a me perseguir, e eu, munido de extrema habilidade e destreza, ainda no escuro, consigo mais que depressa ligar o computador para digitar, enquanto ainda sonho com o dia em que todo aluno será responsável, do momento que entra na escola em diante, por sua avaliação, por dar notas a si mesmo, por se diplomar e atestar sua capacidade para exercer a profissão que escolheu. Só ele e mais ninguém poderá dizer se já sabe a matéria, se aprendeu a lição, se está apto a passar de ano, se formar, e exercer tal profissão para servir ao próximo. Pronto. Levanto para fazer xixi, vou e volto sonâmbulo para a cama, me entravesso inteiro, e sonho solto com o dia em que todo servidor publico, municipal estadual ou federal será obrigado por decreto lei, publicado em diário oficial, a tratar seus filhos e parentes em hospitais públicos, e colocá-los obrigatoriamente para estudar em escolas do governo. Não consigo anotar. Hora de acordar. To com fome. Pego o smartfone e continuo sonhando com o fim das grades nos prédios das cidades. É que transformaram todas as edificações em pequenas penitenciarias. Ao invés de colocar o ladrão atrás das grades, a sociedade civil teve a brilhante idéia de se enjaular. E enquanto escovo os dentes sonho que finalmente vamos subir o Planalto e instalar lá uma UPP (União Pacificadora do Planalto), e tomando café, vou sonhando com a purificação das drogas, mas isso é outra polêmica, almoçando, sonho que hei de vencer mesmo sendo honesto. E o dia vai passando e eu vou sonhando, sonhando, sonhando e anotando, anotando no papel, no celular, no computador, no guardanapo, na parede, no papel higiênico, na mão, na memória de quem me acompanha, no cérebro de quem me liga, no blog do UOL, no blog do face, no jornal da zona sul, no Outlook, no espaço cênico, nas areias da praia, e no Word. E assim sigo até que acabem-se os lápis, os computadores, os celulares, os papeis, a areia, os ossos, e fiquem-se os sonhos. 

 

 

Escrito por wotzik às 09h32
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11/04/2012


Durante mais de trinta anos da minha vida, eu fui um homem do teatro. O teatro era minha Igreja, minha família, minha profissão, único lugar de satisfação, onde estavam meus amigos, meus amores, meu desejo, minha curiosidade, minha paixão e minhas tristezas. Durante, pelo menos, trinta anos, dei a vida por ele com muito prazer. Talvez porque, diferente de meus amigos que pulavam de profissão em profissão, tentando se encontrar, eu sempre soube, desde a adolescência, que queria ser um homem do teatro. Sempre quis, desde que fui encantado por ele, desvendar seus mistérios, descobrir seus princípios e conhecer seus deuses. Mas, um dia eu acordei e percebi que estava sem “vida pessoal”. Como aquela historinha da criança que está diante da televisão durante toda manhã quando, de repente, a emissora sai do ar e entra uma voz em off que diz: “Interrompemos nossa programação para avisar que está um dia lindo lá fora!” Pois bem. Acordei. E me vi mofando. Pois, como dizia eu mesmo: “gente de teatro, mofa”. Tinha passado anos me escondendo do mundo no Teatro, meu abrigo antiaéreo. Então eu, que sempre achei que “só valia a pena fazer Teatro se valesse a vida”, estava em crise. Como dar a vida para o Teatro se eu não tinha vida? Se eu não tinha vida a oferecer? Não tinha vida própria, pessoal, íntima. Não tinha vivido nada. Não sabia de nada, a não ser por intermédio de alguém, de personagens, de ficções. Eu era um ser cênico. Era o “Eduardo Wotzik, diretor de teatro”. E me orgulhava do diretor que era. E era tão sintomático que me lembro que ao chegar perto de alguém para me apresentar, tinha que arranjar um jeito de dizer que era o “diretor de teatro Eduardo Wotzik”. “Oi, oi, tudo bom? Tudo bom. E você, tudo bom? Sou o diretor de teatro Eduardo Wotzik, e você?” De repente, comecei a entender que havia algo de ridículo nisso. “Quem é você? Sou o diretor de teatro Eduardo Wotzik.” Mas, diretor de teatro era a minha profissão. Então eu sou a minha profissão. Então estou confundido com minha função social. Então quem trepa, vai ao banco, toma café da manhã, vai a festas, faz aniversário é o “diretor de teatro Eduardo Wotzik”? Mas, e eu sou quem? Está claro que o “diretor de teatro Eduardo Wotzik” sou eu. Mas, e eu, sou quem? Se não estivesse dirigindo, dando aulas, palestras, funcionando como diretor, me apresentando como um não tinha assunto, interesse, não me reconhecia. Quem conhecesse o “diretor de teatro Eduardo Wotzik” e, a seguir, conhecesse a pessoa, era imediatamente tomado de uma profunda decepção. Resolvi acordar. Antes tarde. E descobri que o Eduardo “diretor” não tinha nada a ver com a “pessoa”. E comecei a dissociar um do outro para ver se o tal “pessoa” aparecia que não era possível que eu não fosse. Mas não fosse o quê? Tinha que desconfundir. Tinha que sair do ensaio e esquecer que era diretor. Fechar a porta do escritório e ir viver minha vida. E aí, é importante explicar para quem não é do meio, como é o meio. Você ensaia de cinco a seis horas por dia e, no final, óbvio, não consegue ir para casa e dormir de tão excitado e com fome. Então, vamos jantar. Quem vamos? A uma da manhã? Só mesmo as pessoas que estavam ensaiando contigo. E aí vamos para um restaurante ou para um bar, comer e, naturalmente, falar sobre o ensaio, é claro. Anos disso. E acorda e começa a trabalhar para o ensaio. Então, 24 horas em função. Durante anos. Bom, mas tem as folgas. Nas folgas, você tem que ir ver os trabalhos dos colegas porque, senão, eles ficam chateados e não vão ver o seu. Ou então, acontece como naquele meu Natal inesquecível, quando estávamos a beira da estréia (dia 08 de janeiro), e resolvi dar folga para todos. Ótimo. Natal. Folga. Eu em casa. Folga. Natal. Toca o telefone. Resolvi não atender. Mas, não pude deixar de ouvir na secretária o ator principal do espetáculo, que estava em Porto Alegre passando o natal com sua mãezinha, dizendo que sentia muito, mas que estava muito chateado com a outra atriz que estava fazendo o espetáculo e que achava melhor sair da peça, e que eu, então, estava livre para substituí-lo para a estréia. Não atendi. Só depois de trinta anos de carreira é que consegui fazer isso. Não atender. E ele ficou ligando 24, 25, 26, e deixando recado na secretária, até mudar de idéia, sozinho e se apresentar normalmente no dia 27 para continuarmos os ensaios. O referido ator estreou com enorme sucesso, foi indicado para todos os prêmios e nunca falou no assunto. Vida de Teatro. De diretor é ainda mais cheia, que tem sempre um para te alugar, como acabei de contar, além do tempo do ensaio. O pessoal acha que a gente é psiquiatra, pai, irmão, amigo, mãe, filho, além da estafante função de criar e dirigir o espetáculo. Mas eu gosto. E me divirto. Mas, preferia que fôssemos, todos, mais profissionais e menos família. Que todos soubessem que, no momento em que você adentra o espaço do teatro para ensaiar, você adentrou um espaço profissional, onde todos estarão jogando cenicamente, brincando de ser alguém, sendo atores, fingindo e podendo fingir ser alguém, que do espaço para fora, você não pode ser. Que eu pudesse dirigir atores e personagens e não ter que tratar da cabeça das pessoas. Mas, mesmo assim, eu gosto. E me divirto. Mas demanda tempo. E vida pra gastar. E naquele momento, eu não queria mais dedicar todo o espaço do meu hd de vida com o Teatro. Queria descobrir os encantos de uma vida pessoal. Me lembrei do dia em que fui dirigir um show de dois importantes cantores e compositores e que eles me apresentaram umas 50 músicas que tinham sido seus hits dos anos oitenta e que qualquer pessoa saberia cantar de cor. Minha empregada sabia, minha assistente sabia, o público sabia frase a frase, mas eu não. Eles tiveram que me perguntar: “meu querido” diretor de teatro Eduardo Wotzik”, onde é que você esteve nesses últimos dez anos?” A resposta: “dentro do Teatro”. Aprendendo, estagiando, atuando, produzindo e dirigindo. Droga, eu não quero falar de teatro. Esse assunto queria deixar para outros tomos de memórias. Aqui, só estilhaços da tal “vida pessoal”. Bom. Enfim. Me perdi. Ah, sim. Precisava me achar e ter vida pessoal. O que eu tinha que fazer? Primeiramente, arrumar uma namorada que não fosse do meio. E eu arrumei. E ela até exagerava um pouco. Não precisava tanto. A ponto de uma vez, depois de um espetáculo meu, sentarmos no baixo gávea (para quem não sabe, reduto de encontro de jovens cariocas), eu, ela, Millor Fernandes, Cora Ronai, Chico Caruso e a Eliana, sua mulher. Deu quinze minutos, ela já estava aflita na mesa. Meia hora, e ela queria ir embora. Fui. Mas eu não pude deixar de ficar chateado de sair, daquela maneira, de uma mesa com artistas e gente da melhor espécie e companhia. E que tinham se deslocado de suas casas para ver meu espetáculo. Mas ela, nem aí. Me puxou para ir embora. E acrescentou sem titubear: “Você acha que eu ia passar a noite com esses velhos?” Ela exagerava. Mas foi bom pra mim. “Foda-se se você é diretor, se fez isso ou aquilo. Eu quero saber é se você é legal, me faz feliz e me come bem”. E aquilo era importante pra mim. Quebrava regras. Desfazia mitos. Destruía meu ego cênico. E assim fui, durante anos, tentando me melhorar. O resultado desse esforço de descobrir-me. Cinco anos mais tarde, estava em casa quando um amigo, que não era de teatro (agora eu tinha um) ia sair com uma menina que tinha uma amiga que também não era de teatro, e então, eu fui. Acabamos indo para um restaurante na Barra onde outras nove pessoas estavam à mesa. Todas absolutamente desconhecidas de mim. E eu, então, fui aos poucos dizendo uma coisa, depois outra e não deu quinze minutos e todos à mesa estavam totalmente vidrados em mim. Até que, só no final da noite, alguém perguntou: “você faz o que?” E, então, percebi que tinha evoluído, que tinha conseguido me fazer interessante, independente da minha profissão, e que não precisava mais me esconder atrás dela. Meu amigo disse que não ia contar o que eu fazia e eu topei a história, deixando aquelas quinze pessoas (já eram quinze), em estado de curiosidade e fascínio. Parece besteira. “Metidice.” Mas não importa. O fato pra mim teve enorme importância e funcionou como um maravilhoso termômetro quanto à minha capacidade de mudança. Começava a existir. Um homem em gerúndio. Com novos caminhos. Pedras. Problemas. Perguntas. Néctar. E memórias. Vivas. Que se materializam aqui, onde houver um espaço em branco, em palavras, num exercício adorável de me sentir sido e sendo. Viver é mágico.

Escrito por wotzik às 15h45
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Acho que quando amanhecer vai ter um vento,

vai perpassar uma brisa morninha,

que me fará lembrar, que mesmo diante do maior espetáculo,

da mais exuberante manifestação de vida,

há sede de carinho.

 

Escrito por wotzik às 15h44
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04/04/2012


Escrito por wotzik às 14h35
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30/03/2012


Agora me responda: Qual foi o órgão da imprensa que mandou uma jovem repórter para o velório do Millôr

onde se encontravam reunidas nada menos que as maiores figuras da inteligencia desse país

para perguntar a uma delas quase dentro da capela, quase ao pé do ouvido do morto,

qual o legado que o Millôr "Ferreira" tinha deixado para o Brasil?

Escrito por wotzik às 08h44
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29/03/2012


 

SÓ A CONJECTURA SALVA!

Escrito por wotzik às 20h09
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“E viva o Brasil! Onde o ano inteiro é Primeiro de Abril!”

Achei que isso nunca ia acontecer. Mas como ele mesmo dizia, só há um encontro a que não posso faltar e não me avisaram quando nem me disseram o lugar. Morreu o maior humorista de todos os tempos. Meu amigo. Millôr Fernandes! O melhor ser humano com quem tive a honra de estar. E de levar suas palavras por esse Brasil afora em um espetáculo que chamamos Millor Impossível! Perto dele virava tudo comediante de segunda, padres, bispos, coroinhas. Millôr era o Papa. O Papa do Humor. Escreveu as melhores peças, as melhores traduções, as melhores charges, as melhores frases, os melhores hai kais, os melhores poemas. Millôr não conheceu a mediocridade. E trabalhou para isso. Árduo. Um exemplo. Um espírito critico. Um observador admirável. Um homem das palavras e das imagens e dos sons e dos silêncios. Muito a frente do seu tempo. Um homem livre! E o que mais me chateia é que ele vai chegar lá em cima e vai falar, escrever, desenhar, compor, e Deus não vai entender. Choro!

“Viver é desenhar sem borracha”

A humanidade precisa trabalhar muito, e rápido para que pessoas como Millor Fernandes e Oscar Niemeyer não morram nunca. E não me venham com aquela conversa de que ele foi para um melhor lugar, que o céu está mais rico, etc que esse tipo de gente faz falta é aqui. Não é justo que todo sujeito tenha que morrer só porque ficou velho. Também não me venham com aquela conversa de que imagina como seria se ninguém morresse. Minha proposta é simples e basta que a humanidade dirija seus esforços para isso. Essa honraria não precisa ser para todo mundo que a maioria pode morrer de velhice que não tem problema nem para si nem para ninguém, mas tem gente que não, não pode morrer, é eleito eticamente, isso existe, eu sei bem a diferença entre meu pai que morreu aos oitenta bem cumpridos e o Millôr. Vida eterna para os que fazem a diferença. Se essa lei já estivesse valendo teríamos Mozart, Tolstoi, Beethoven, Gandhi, Nietzsche, Jesus quem sabe, Sócrates, Pessoa, faz sua lista! A partir de hoje aquele que for alçado a patrimônio histórico da humanidade passa a ser tombado e ganha o direito de morrer quando achar que não tem mais nada a contribuir com a evolução da espécie. Pronto.

 

“Generalizando-se a corrupção,

restabelece-se a justiça.”

Escrito por wotzik às 20h01
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Bom. Todo mundo tem seus momentos de solidão. Para muitos, um alívio, para outros, um tormento. Eu, decididamente, me encontro no segundo caso. É, que eu sempre tive muitas dúvidas. E precisei demais do outro pra compartilhar. E sempre tive muita, mas, muita curiosidade pelo ser humano. E me via melhor olhando pra fora que pra dentro. A verdade, é que cada vez que me procurava dentro, não achava nada. Cada vez, que procurava fora, encontrava um pedaço de mim mesmo. Sempre fui um teste de Rorschach ambulante. E descobrir-me no outro, sempre foi uma das minhas melhores ocupações. Que eu nunca fui esquizofrênico, fui “polifrênico”. Nunca conheci ninguém com tantos eus, como eu. E me surpreendo a cada um que se projeta. E, é claro, me confundo muito com tantos, que às vezes, eles se misturam, e eu viro uma salada de mim mesmo. E logo eu, que não como salada. Aliás, abre parênteses, que eu nunca comi nada de verde, que eu sou do Partido Verde, então, sempre fui contra a extração de qualquer matéria verde para ingestão animal. Enfim, devo admitir a multiplicidade que sempre me habitou. Sou capaz de ser a mais burra criatura, e a mais inteligente figura. Tenho me exercitado sendo criança e velho, bêbado, artista, louco, dono de casa, adolescente, intelectual, esportista, escritor, diretor de teatro, professor, aluno, pai, filho, marido, amante, namorado, amigo, e em cada uma dessas, e outras formas de viver a vida, experimentado matizes de sentimentos os mais diversos. Além disso, sempre achei que a vida se dividia em infância, adolescência, juventude e velhice. Depois, Segunda infância, Segunda adolescência, Segunda juventude e Segunda velhice. E então, Terceira, e assim vai. Conheci inúmeras pessoas de vinte anos em plena primeira velhice, e outras aos oitenta, vivendo sua terceira adolescência. E esse ciclo pode durar um ano, um mês, dez anos, vinte, quantos forem necessários para cada um. Que, cada organismo, sabe, do tempo que precisa para si. De maneira que, você pode me encontrar, numa rave dançando sem jeito, jogando vôlei na praia, ou jantando com um intelectual qualquer. E é assim que me sinto. E tenho que admitir, que quando fecho os olhos, vejo tudo escuro. E que me lembro, muito raramente, dos meus sonhos. Então, é porque dentro não tem nada. E não adianta procurar. Mas, se não tem nada, de onde é que estão saindo essas palavras? Enfim, o que eu queria mesmo dizer antes do nó, e que me impressiona, e que é a mais pura verdade, devo admitir, é que qualquer aceno externo me compra. Um mínimo gesto de carinho me faz parar de meditar, cantar, malhar, falar, dançar ou escrever. Troco todas as minhas horas de solidão, por um sorriso que venha em minha direção. E Amém. Que rimou.

Escrito por wotzik às 19h47
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27/03/2012


Constituamos – consistir através do amor.

“A humanidade não anda, porque os filhos não são frutos do amor.” A frase é minha, e duvidosa. Mas, é que conheço poucos casais, que se amam o suficiente, para produzir filhos que sejam frutos do amor. A maioria são casamentos arranjados, casamentos convenientes, que celebram a solução para a solidão dos dois. E seus filhos foram frutos de uma trepada, não de um momento de amor. Então, somos, a maioria, órfãs de amor, desde a concepção. E nos ressentimos disso. E, passamos a vida em busca daquela falta que se estabeleceu na noite da concepção. Então, o eterno retorno não é para o útero, nem como Melanie Klein previu ao primeiro sugar do peito materno. É um eterno retorno para a falta, em busca de algo que não há, de algo que não houve. Então, a pergunta que não devia calar. Meus pais se amam? Melhor. Se amavam, verdadeiramente, quando resolveram se amar para me conceber? Se amavam ao me conceber? Pelo menos, se amavam quando eu nasci? Meu parto foi um ato de amor? Não, aquele amor burocrático, e contratual, que perpassa a maioria de nós, séculos vinte e uns. Pais podem encher seus filhos de amor para compensar, mas vai ficar faltando. Vai. E precisamos responder a essas perguntas para não ficarmos andando em círculos, feito bobos, em busca de um carinho, que, definitivamente, não houve. Mas, então, a humanidade não pode evoluir em sua característica intrínseca, a de ser humana. De ser solidária. Se somos concebidos burocraticamente, nada mais lógico, que nos constituamos da mesma forma. Então, foi que recebemos a graça do humano, e nossa mente, através dos tempos têm nos feito o desserviço de nos desconstituir. Enfim, papo. Brabo. Tipo cabeça. Eu adoro. E acho que o assunto merecia ser mais escarafundado. 

Escrito por wotzik às 09h51
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Acho que se Freud tivesse se debruçado sobre a matéria TPM, e não sobre a histeria, hoje, teríamos um estudo grafológico aprofundado e completo sobre o comportamento da mulher, o que a ajudaria muito e ao homem na compreensão da mesma, além do que, teríamos muito menos sessões de analise. É que ao invés de culpar a cabeça, a mente, pelas crises, e correr em busca das terapias de compreensão racional, a mulher veria seus humores justificadas pela menstruação e seu ciclo sísmico. 

 

Escrito por wotzik às 09h49
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23/03/2012


CRÔNICA AINDA BEM INACABADA.

 

Maria Julia faz 18 anos. E daí? O que eu faço?  Envelheço? Choro o tempo? Maria Julia fez 18 anos. E ficou linda. Cheia de inteligências e temperamento. Um espírito doador e crítico. Contemporâneo e  curioso. Preparado para a vida. Indignada com os sustos. Maria Julia completa dia 09 de março 18 anos de vida. E ficou melhor que eu. Melhor que os pais. Melhorando a espécie. Que é assim que o mundo anda. Pelo menos o meu. Maria Julia tem 18 anos e já é espécie melhor que a minha. E segue a risca a ordem que dei desde sempre: do seu pai e de sua mãe só copie as qualidades. E urge escrever logo tudo que eu fiz por ela nesses últimos dezoito anos, deixar logo registrado, que se não quando velhinho, a porta do asilo, resolver cobrar, já vou ter esquecido. 18 anos. Maravilhosos. E acho que a promessa que fiz quando ela nasceu de que seria o melhor pai que pudesse ser vem se cumprindo. 18 anos. E não tem como esquecer das tantas coisas que passamos juntos. É que fora meu pai, minha mãe e meu irmão foi com ela que me relacionei por mais tempo até hoje. É que desde seus oito meses resolvi cuidar dela. Metade da semana. Hoje isso já tem até nome, chamam guarda compartilhada. E dar banho, e trocar fralda, e conversar muito mesmo que ainda não soubesse falar. E ela era menina. E eu penei para aprender. Mas ela foi me ensinando tudo devagarzinho, com paciência, me ensinou a cuidar dela bebe, e quando eu comecei a aprender, ela virou criança, e quando comecei a aprender a cuidar da criança que ela era, ela virou menina, e quando eu comecei a aprender, ela virou mulher, e quando eu comecei a aprender, ela fez 18 anos só pra me sacanear. Haja! Minha filha faz 18 anos e não há como deixar de imaginar o que seria da minha vida sem ela. Para ela procurei cada dia estar mais vivo. E há 18 anos rejuvenesço diariamente. Minha tia bela fez oitenta. Meu irmão 55. Meu pai teria 88, minha mãe 82. Michele 34. A madrinha 52 coitada. Meu Gabriel tem 4, Maria Julia 18. E o que será que isso significa? Nada. O que será que são esses números, se essa gente toda continua dentro de mim, vivendo. Maria Julia fez 18 anos e minha mãe não viu. Meu pai também não. Nem minha tia Raquel. Como é que pode? No ultimo enterro da família que fui, eu e meus primos nos entreolhamos e silenciosamente percebemos que os próximos seríamos nós. Como é triste a vida. Como é bom viver! Gabriel acabou de me prometer que só vai fazer 18 daqui a 14 anos. Fiquei mais calmo.  Ela recebeu um poema do Domingos Oliveira que rima Maria com magia. Peguei um monte de fotos de antigamente e achei que eu to muito melhor hoje. Começo a me animar. Com os 21 que virão. E os netos e bisnetos e tataranetos todos com a minha cara. Que engraçado! Maria Julia faz 18 anos e eu escrevo a mais auto referente crônica jamais escrita. Era para falar dela e só falo de mim. Filho é fogo. A gente acha que é nós. Enfim, que a crônica ainda bem é inacabada, Maria Julia faz 18 e é mentira que eu nem vi. Vi e vivi cada instante da incubadora ao berço, do berço a mini cama, da mini cama a cama, da cama ao Futon de casal. Eu sou um puta pai. E Maria Julia é foda! A mais foda que se pode ser, sem sucumbir ao pai, se mantendo original e cópia quando precisa descansar de si mesma. Em resumo, ela é uma Graça. E a verdade, que sou obrigado a revelar aqui, em primeira mão, é que Maria Julia fez 18 anos, e eu ainda não! Te amo filha.

 

                                                                                                                                             Paps.

Escrito por wotzik às 13h02
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14/03/2012


Existem coisas estranhas na vida, mas a morte ainda é a maior delas. Para isso eu recomendo a toalha. Leve uma toalha ao enterro, e chore. O mais que puder. Chore uma existência. A sua, e a de quem você está perdendo. A sua com quem você está perdendo. Já perdi avós, amigos, pais de amigos, mãe, tia e primo, e hoje num enterro judeu de um pai de amiga, tive a ilusão de que os quipás sairiam voando pelo cemitério. Que os mortos milagrosamente um dia se levantarão, e acenarão para nós com a possibilidade de um novo mundo. Parece absurdo, mas o ser humano é absurdo. Entregar ao homem, a um só corpo, a um só tempo, a condição de consciência, e de envelhecimento e morte, foi uma idéia de extremo mau gosto. Transforma qualquer existência em um filme B. A consciência, - que bacana poder ter humor sobre as coisas! - mas a morte, o envelhecimento, a consciência dela, ficar vendo, assistindo, é humor negro. Acho morrer envelhecendo um absurdo, um erro de cálculo, uma leviandade dos deuses, ou uma sacanagem mesmo que nos impingimos. E não consigo entender por que não gastamos todo o dinheiro do mundo para não morrer. Morte Zero. Campanha da morte zero. Por que não unir toda a humanidade em prol de consertar esse erro básico de nossa existência. Por que não unir esforços para que não haja mais nenhuma morte nesse planeta. Uma bandeira. Um objetivo. Uma campanha. E é possível. Tenho certeza de que se quisermos, verdadeiramente, conseguiremos estancar esse mal que tanto tememos. Acho mesmo, que foi a essa ironia que fomos destinados. Querem ver, em quanto tempo, a humanidade, usando a inteligência que lhe foi dada, levará, para conseguir suplantar o envelhecimento e a morte. É isso. A morte é nosso maior inimigo. E eu sei, a humanidade pode derrotá-la. E vai. Pronto. Morre quem quer. Onde quer. Como quer. Quando quiser. 

Escrito por wotzik às 15h07
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08/03/2012


Ela acorda conversando com o galo, escova os dentes conversando com os filhos, conversa com a empregada, com os passarinhos, toca o telefone ela conversa mais um pouco, vai a farmácia e conversa com o porteiro, com o garagista, com o verdureiro, com o guarda da esquina, com farmacêutico, volta pra casa conversa com a mãe, conversa com a tia, conversa com a vizinha, com as plantas, com o cachorro, vai ao medico conversa com o ascensorista, com a atendente, com a enfermeira, com as pacientes, com o medico, sai pelo corredor conversando, conversa com o pessoal que espera o elevador, com a outra ascensorista, com o cara do taxi , o motorista do ônibus,o pessoal do metro, o trocador, com a outra vizinha, o povo do ponto, o pessoal do facebook, do skype, orkut e msn que ela não consegue deixar, conversa com a novela, das seis, das sete, das oito, com os personagens, com o autor, conversa com o Bonner, de novo com a empregada, com o entregador de pizza, conversa com as crianças, com o interfone, com as amigas conta o dia, conversa com o marido, com as crianças, com as bonecas, com os retratos, com os carneirinhos, conversa com Deus. 

Escrito por wotzik às 21h49
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01/03/2012


Eu não quero morrer gritando. Não quero morrer com medo. Não quero morrer como aquela madre superiora que dedicou toda a sua vida a Deus, e na hora de se encontrar com ele, gritava de medo e horror, de se fazer ouvir por todo o convento. Quero chegar a um lugar de real compreensão do fim de tudo. Por isso, parafraseando Shakespeare, pretendo “não envelhecer antes de ficar sábio”. Meu avô morreu sábio. Com 94 anos. Ele não morreu, desistiu. Tinha uma consciência assustadora. Adorava dar conselhos, e só reclamava do corpo que não acompanhava a cabeça. Ia assistindo com uma clareza impressionante, o ratear de si, até que um dia, não achou mais graça, resolveu se entregar, e ir. Me lembro que ele devia ter uns oitenta e poucos anos, quando minha avó se foi. No cemitério, depois do enterro, ali parado, olhando seu túmulo, fixamente, me aproximei: “E aí, vô?” E ele me repondeu: “É um mistério”. A partir desse dia, passei a incluir o Mistério como uma categoria da vida. Um departamento próprio. O Mistério existe. E Mistério, é Mistério. Papo de maluco, mas é que existe um algo, que não estamos ainda preparados para observar, que se chama Mistério, e que existe, e é real, e concreto, e deve ser entendido, e respeitado, e aceito como se. Muitas coisas que eram desse mundo do Mistério, hoje, fazem parte do que chamamos conhecido, outras ainda não realizamos, mas já sentimos sua presença, e outras nem supomos. Vitor Hugo, em seu “Trabalhadores do Mar”, diz que, assim como o homem se tornou capaz de observar as águas, suas substâncias, seus habitantes, e assim descobrir milhares de mundos que ajudaram em muito a nos entendermos, haverá um dia em que tornaremos possível a observação do ar, e então poderemos ver tantas coisas, e explicar tantas outras. Mas, enquanto isso, Mistério. Fui educado crendo num Deus único, de barbas brancas que ficava no céu. Dos 20 aos 30 anos, fui desfigurando Deus, fio a fio, até chegar ao total ateísmo. Dos trinta em diante, comecei uma recuperação da figura de Deus. Hoje, eu acredito em tudo. No que vemos, e no que ainda não vemos.

Escrito por wotzik às 09h48
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Se você for dar uma festa hoje certifique-se que tem tomada para todo mundo. 

Escrito por wotzik às 09h47
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14/02/2012


Eu sou preconceituoso.

Escrito por wotzik às 18h43
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Considero burro todo e qualquer animal que não quer aprender.

Escrito por wotzik às 18h42
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06/02/2012


Cada vez que alguém fala que fada não existe, uma fada morre.

Escrito por wotzik às 18h35
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31/01/2012


O HOMEM QUANDO TRAI, TRAI.

A MULHER QUANDO TRAI JUSTIFICA.

O QUE TORNA O SEU ATO AINDA MAIS SORDIDO.

Escrito por wotzik às 18h51
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30/01/2012


 

VERÃO DO CRIOLO DOIDO. ESSA CRÔNICA NÃO TEM FIM. É CRÔNICA.

Há algo de novo no Reino de Ipanema. Estão fechando os teatros, os cinemas, livraria só tem duas, loja de CD acabou e duas senhoras se despediam outro dia assim: vai na Pacheco hoje? Na areia da praia tem um quiosque/favela de dez em dez metros tapando a visão do melhor da praia e causando uma porradaria constante entre os vendedores que ficam aliciando os clientes que nem ponto de cavalo. Inventaram um chuveiro que não funciona quando está nublado. E esse verão só tem nublado. Algum design genial ganhou uma grana do governo para bolar uma cadeira para salva vidas e esqueceu de solucionar a maresia no material, o guarda sol do funcionário que fica assando lá em cima a vista de todos como frango de padaria e o mais incrível é que ninguém pensou como e onde é que iria guardar o troço. Enquanto isso o Posto Nove fechou para o verão. Bom momento. E sombra que é bom nada. Mas abriu o balada mix e isso é lindo. Na quadra da praia. Devolveram a comunidade uma casa maravilhosa na Aníbal. Mas o que está chateando nesse verão 2012 é mesmo a falta dele. Não tem sol. Não tem suor logo após o banho. Só liguei o ar condicionado duas vezes até agora, a roupa ainda não grudou no corpo, ta muito estranho esse verão. Cadê o por do sol pra aplaudir? E aquelas chuvas maravilhosas de final de tarde. Me devolvam o meu verão. Eu paguei por ele quero o meu verão de volta. E se puder devolve também todo esse pessoal que andou morrendo sem avisar no inicio do ano. Ah, vocês já viram o pessoal enchendo os bujões de mate e limão na areia. Sabe que quem bebeu mate de bujão na infância está imunizado para o resto da vida. Compraram o Teatro Ipanema. O Prefeito disse que ia mudar o nome dele para Paulo Gracindo. O Prefeito como a maioria das pessoas acham que o Teatro chama Ipanema só porque fica em Ipanema. Mas não é assim. O Teatro Ipanema é uma marca, nome de um grupo de gente do Teatro que durante mais de três décadas deram a vida pelo palco. Então foi essa gente que se chama Teatro Ipanema que produziu “Hoje é dia de Rock”, “A China é Azul”, “O Beijo da Mulher Aranha”, e o “Artaud” no porão do Teatro que deixou o mundo boquiaberto. Era formado por um trio de artistas maravilhosos, o Ivan de Albuquerque, a Leila Ribeiro, e o maior ator que o Brasil já assistiu em cena Rubens Correa. O terreno onde hoje se encontra o Teatro era da família do Rubens que permutou a construção do edifício com a realização do teatro embaixo. Num mundo onde eikes e sheikes  colocam teatros abaixo, viva Rubens Correia, viva Lauras Alvins! E eles eram inquietos, loucos, jovens, muito jovens até o fim da vida eles eram jovens. O teatro Ipanema era local de encontro, ponto de fuga, de todos os jovens do mundo. Durante muitos anos jovens iam para o teatro Ipanema encontrar juventude esse era o programa se você era jovem ia ao teatro Ipanema e pronto. Ver o que? Não importava. Ver. Estar lá. Respirar aquele ar. Então se via a mesma peça 17, 18, 20 vezes. Era assim e pronto. O ultimo espetáculo de “Hoje é dia de Rock” tinha tanta gente que tiveram que ir fazer na praia. Corpo e alma, viva o teatro Ipanema!! Mas cadê o Chaika. Cidadão de Ipanema não pode viver sem o Chaika. Na hora do não sei o que, nem onde comer, é do Chaika que todos gostam mais. Ta fechado e rezo todo dia para não virar Pacheco, ô praga! Ah, o tal do corredor melhorou a beça o transito que para sempre no mesmo lugar: Bartolomeu Mitre com Alfredo Ribeiro, entrada do Rebouças, saída da lagoa em frente ao Flamengo,haja! Por que não alargam de vez aquilo lá? Vocês sabiam que tenho o dom da vidência, e posso garantir que assim que começarem as chuvas de fevereiro vai alagar na praça da bandeira, na lagoa, na jardim botânico, que eu sei, posso ver daqui que aqueles buerinhos estão lá entupidinhos só esperando a chuva chegar. E vai ter desabamento e campanha para ajudar os desabrigados e doações e dinheiro público para as vitimas e o Prefeito roubando a verba que é assim que ele garante o seu apartamento em Miami que todo janeiro vence o IPTU que é uma nota verde.Tem um prédio na Vieira Souto 336, que todo dia sobe um andar aos pouquinhos, discretamente já tem seis andares e ninguém faz nada. Daqui a pouco vai se juntar as deliciosas sombras que nossos frondosos hotéis nos propiciam. Enquanto isso na famosa rede de vôlei da Joana Angelica todos esperam pela passagem do Ashton Kutcher que pensam voltou ao Brasil por causa de um contrato milionário com a Colcci mas a verdade é que o cara ta mordido. Rico, acostumado a só ganhar, o mimadinho só perdeu uma vez na vida e foi justamente aqui no rio no vôlei para a turma da Rede da Joana. Uma surra. Vale lembrar que réveillon bom foi o das areias do arpoador que continua sendo o melhor e mais lindo lugar do mundo. Uma pergunta que não tem fim: como é que pode uma pessoa deixar lixo na praia. Não levar consigo na hora de ir embora? Por que os barraqueiros - que nome perfeito para eles - não são responsabilizados pela ordem e limpeza do seu entorno? Por que os barraqueiros que ganham mmmuuuuiiito dinheiro cobrando preços sem tabelas e absurdamente abusivos muitas vezes mais de mil por cento em cima do preço original do produto usam o espaço público e não são ordenados nem taxados. Eles não pagam impostos? Quem são os donos desses espaços? Quem são os caras que ganham dinheiro com isso e nem aparecem para pedir desculpas para os turistas espantados. Ai, ai. Acabaram de atropelar uma bicicleta na ciclovia. Dois velhinhos. Só olharam para um lado. Ai, ai. Essa crônica não vai caber na página. Tem um cara fazendo xixi no paredão do quiosque. É impressão minha ou as cagarras ficaram mais perto? 

 

Escrito por wotzik às 12h51
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21/01/2012


Tem um sujeito que trabalha todos os dias da semana.

 

Trabalha.

 

Trabalha ali no sinal pedindo esmolas numa cadeira de rodas.

 

Todos os dias. Não falta um. Das seis as seis.

 

Chega ainda com o dia escuro pega sua cadeira no prédio da esquina

 

e quando começa a escurecer se levanta e a coloca de volta no lugar.

 

 

Escrito por wotzik às 12h41
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04/01/2012


RIO DE JANEIRO

 

Nunca vi tantos guardas nas ruas do Rio de Janeiro. E sempre juntos. Nas esquinas, nas praças, nas praias, no trânsito, nos pés e nos topos dos morros. Estão sempre em grupos. Haja assunto. Onde será que eles estavam dois meses atrás? Trabalhavam aonde? No trafico? Mas o trafico acabou, então foram todos pra casa mudaram de roupa e se apresentaram no quartel. O salário é menor mas pelo menos paga as conta. Eu proponho que se faça urgente um teste do Inmetro no policial brasileiro antes que nos aconteça alguma tragédia anunciada. Dá uma olhada no shape.

 

 

Escrito por wotzik às 00h31
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31/12/2011


2012

QUERIDOS AMIGOS:TENHAM SEMPRE UM ANO NOVO! MAIS SAÚDE PARA TODOS! QUE CUMPRAM-SE OS VOTOS DE ESQUILO: "VIDA LONGA E VARIADA." UM BEIJO. EDUARDO WOTZIK

Escrito por wotzik às 18h31
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22/12/2011


FELIZ NATAL

UM DIA DESCOBRI QUE TINHA AMIGOS PERFEITOS PARA IR À FESTA, AMIGOS PERFEITOS PARA QUANDO ESTAVA TRISTE, AMIGOS PARA IR À PRAIA, PARA QUANDO ESTAVA ALEGRE, PERFEITOS PARA IR AO TEATRO. TINHA AMIGOS QUE ERAM PERFEITOS PARA IR AO CINEMA, PARA FALAR NO TELEFONE, OUTROS, PERFEITOS PARA LEMBRAR MEU ANIVERSÁRIO E NÃO FALTAR DE JEITO NENHUM. AMIGOS PERFEITOS PARA SAIR PRA JANTAR, PARA SAIR EM CASAIS, PERFEITOS PARA UM CHOPP, PARA UM UÍSQUE, PARA FUMAR UM, PARA SE DROGAR ATÉ CAIR. E TINHA OS AMIGOS DE FRESCOBOL, OS DO VÔLEI, AMIGOS PARA ENCONTRAR NA ESQUINA E TE INFORMAR ONDE COMPRAR CIGARRO NO FERIADO, AMIGOS PERFEITOS PARA O TRABALHO, PARA VIAJAR, E AMIGOS PERFEITOS PARA SE ENCONTRAR E FALAR MAL DE TODOS OS OUTROS AMIGOS. E QUE HAVIA DE TER MUITA HABILIDADE PARA NÃO MISTURÁ-LOS, QUE ELES SÃO COMO AZEITE NA ÁGUA. E NÃO ADIANTA CHAMAR UM “AMIGO PERFEITO PARA DIAS TRISTES” QUANDO SE ESTÁ ALEGRE QUE ELE NÃO ATENDE, E NÃO ADIANTA COBRAR DO “AMIGO PERFEITO PARA IR A PRAIA”, QUE ELE NÃO FOI NEM LIGOU NO SEU ANIVERSÁRIO. AMIGOS SÃO PERFEITOS ONDE PODEM SER MAIS AMIGOS.

Escrito por wotzik às 15h42
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Bem.

Como todo ano é igual, como nada muda,

deixo novamente aqui a pergunta que faço há anos sem obter resposta:

Se a Missa é do Galo por que matam o Peru?

Por que quem morre é o Peru e a Missa é do Galo?

Ô Natal injusto!

Escrito por wotzik às 09h29
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21/12/2011


 

Eu não gosto de cinema, não gosto. Nem de televisão, detesto. O que eu posso fazer? Me irrita, aquele barulhinho na sala o dia inteiro. E transar? Não gosto. Quer ver outra coisa que não gosto: de praia, areia, água salgada, onda, aquela gente berrando. E mato, também não. Rio, mosquito, aquele barulho de cigarra, passarinho, não consigo dormir. Nem de chocolate, eu gosto. Me deixa mole. Dá azia. Não gosto. De futebol. Acho chato. Enjoativo aquela bola correndo de um lado pro outro não vejo graça. De artista não posso nem ver, acho falso. Deus me livre, não gosto, de pai, mãe, tio, tia, família, avô, avó, putaquiupariu. E escola? Colégio? Raiz quadrada? Estudar? Odeio. Nem de ir pra encontrar os amigos, não gosto. De criança. Berrando. Dia de sol. Chuva. Mormaço pior ainda. Garoa que irritante.  Não adianta que eu não gosto de pizza, coca-cola, sorvete, nunca gostei. Beijar na boca, que nojo, não agüento, dá trabalho tem que conhecer, paquerar, sair, seduzir, não gosto. De ler? De chopp, drogas, musica, odeio. E pra terminar com essa chatice, vão tomar no cu, que de mim também não gosto, e de vocês menos ainda. 

DO LIVRO ESTILHAÇOS - A VENDA NAS LIVRARIAS DA TRAVESSA

 

 

 

Escrito por wotzik às 16h14
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17/12/2011


As pessoas precisam parar de morrer!

Escrito por wotzik às 00h30
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01/12/2011


Ontem eu fui no Braz. Aquela pizzaria com aspecto de paulista e serviço carioca. Onde você jura que foi na Lapa que inventaram a pizza. Um grande botequim sem cerveja e ovo colorido. Onde se serve pizza. E você fica imaginando aquela mesa com Noel, Aracy de Almeida, Lamartine Babo comendo pizza de mussarela com rodela de tomate. Enfim. Veio a pizza. Com pouca mozarela. Muito pouca mesmo. Massa e molho de tomate, um tufo de queijo,  e a mesa que estava animada e esfomeada pasmou. Todos silenciosamente mortos de fome pensaram que saco ter que pagar caro por algo que não vale e não vai satisfazer mas a fome é tanta que deixaram a gente esperando tanto e vamos ter que pagar tanto que dá até tristeza  e desanimo ter que reclamar vendo a pizza ali na nossa frente quentinha esperando por nossos dentinhos. Chamamos o Maitre. Sugerimos a ele que colocasse um pouco mais de mussarela na pizza por obséquio. Disse que não podia. Dissemos então que pagaríamos pela mozarela extra, que mesmo mortos de fome esperaríamos pela nova pizza ou mesmo pela porção extra de queijo que ia nos trazer. Ele contestou de forma definitiva dizendo que não ia ficar bom. Não ia ficar bom. Ele disse que se colocasse ou trouxesse mais mozarela na pizza não ia ficar bom. E ficou nos olhando um tempo em silêncio, e depois virou as costas, e seguiu seu rumo. O que fazer? Deus das massas nos oriente. O que fazer? Diante daquela pizza fria, cheia de molho de tomate, ali no centro da mesa, humilhada. E antes que começássemos a disputar a tapa aqueles nacos de queijo, alguém pegou o telefone celular e ligou para a Capricciosa que era pertinho e que em vinte minutos mandou entregar uma saborosa e transbordante pizza de mozarela. Foi lindo ver aquele entregador de pizza adentrando o salão sob os aplausos de todos. Cai o pano.

Escrito por wotzik às 11h44
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30/11/2011


Eleição no Egito? Meu Deus, onde é que vamos parar. Que mundo é esse? Imagina se Ramsés ia ser eleito. Eleição para faraó? Que loucura! De onde é que eles tiraram essa ideia estapafúrdia?

Escrito por wotzik às 18h19
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Me confidenciou um ator começando: " Se a Grécia que é o berço da cultura faliu, imagina eu."

Escrito por wotzik às 18h18
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Enquanto isso nos morros brasileiros o povo brinca de policia e ladrão.

 

Escrito por wotzik às 18h17
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17/11/2011


Agora que estagiamos subindo os morros


já podemos começar a subir o planalto.


Campanha de ocupação do Planalto.


Vamos todos subir o planalto.


UPP - Unidade Pacificadora do Planalto.

Escrito por wotzik às 01h47
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04/11/2011


Teatro/CRÍTICA

"Breve encontro"

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Bela reflexão sobre a paixão


Lionel Fischer


O dramaturgo Noel Coward escreveu a peça "Natureza morta". O cineasta David Lean a adaptou para o cinema, rebatizando-a de "Desencanto". E agora Eduardo Wotzik adapta o filme para o palco, com o título "Breve encontro". Pois bem: qual dos três títulos retrataria com mais propriedade a essência da obra? Ao que me parece, os três, posto que não excludentes. Em cartaz no Teatro dos Quatro, "Breve encontro" chega à cena com direção de Eduardo Wotzik e elenco formado por Carla Ribas, Fernando Arze, Paulo Giardini, Cristina Rudolph e Rubens Araújo.

Supostos entendidos em questões amorosas costumam afirmar que paixões só eclodem em pessoas arrebatadas, paroxísticas, um tanto operísticas e, assim, a todo momento propensas ao desvario amoroso. Isto pode ser verdade, sem dúvida, mas não é menos verdadeiro que uma paixão avassaladora possa ocorrer entre pessoas recatadas, pudicas, perfeitamente enquadradas em um relacionamento monogâmico. E é exatamente o que ocorre aqui.

A protagonista é uma mulher casada há décadas e mantém com o marido uma relação estável. Um belo dia, conhece um médico, também casado e cuja relação com a esposa se enquadra igualmente nos cânones de uma relação burguesa. Para surpresa de ambos, começam a se encontrar às quintas-feiras, e pouco a pouco o flerte inicial se converte em paixão e os deixa atônitos. O que fazer diante de um tal quadro? Abandonar a estabilidade de casamentos mornos e levar às últimas conseqüências esta deliciosa cilada do destino? Ou a ela renunciar, optando por conservá-la na memória como um momentoprecioso e inesquecível?

Impregnado de reflexões mais do que pertinentes sobre as relações amorosas, o excelente material dramatúrgico ganha ainda maior relevância graças à engenhosa estrutura narrativa criada por Eduardo Wotzik, determinante para o sucesso desta oportuna empreitada teatral.

Tal engenhosidade não se prende ao fato da protagonista narrar e viver simultaneamente sua história, já que isso não constitui nenhuma novidade. O grande achado da montagem é que, em algumas ocasiões, a protagonista está dialogando com um personagem e inesperadamente percebe-se que o interlocutor não está mais ali, posto que nada mais retruca. Ou seja: o que é visto pode ou não estar acontecendo no plano real, o que faculta ao espectador ao menos duas possibilidades de apreensão da narrativa.

Com relação ao espetáculo, Eduardo Wotzik impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com os climas emocionais em jogo. Como os personagens não podem viver às claras sua paixão, certamente Wotzik pediu a Fernanda Mantovani que criasse uma iluminação enclausurada, em alguns momentos até mesmo claustrofóbica, o que é materilizado de forma altamente expressiva. Certamente, um dos mais brilhantes trabalhos de luz da atual temporada.

E no que se refere às marcações, todas elas estão em plena consonância com os sentimentos e dúvidas das personalidades retratadas, cabendo ainda destacar a entrada e saída de alguns poucos elementos cênicos, que surgem e desaparecem como se deslizassem sobre trilhos - uma ótima idéia, já que muitas cenas ocorrem numa estação de trens.

Na pele da protagonista, Carla Ribas exibe atuação sensível e emocionada, trabalhando de forma irretocável as contradições de sua personagem, sempre dividida entre a paixão e a culpa. Vivendo o médico, Fernando Arze tem performance correta, mas acredito que tal correção possa ser transcendida se o ator conseguir, ao longo da temporada, colocar mais paixão em seu personagem - não basta dizer "eu te amo": é preciso que, além das palavras, todo o corpo do personagem traduza tal sentimento. 

Encarnando o marido, Paulo Giardini materializa de forma irrepreensível um ser que, aparentemente frio, indiferente e nada atento ao que se passa com sua esposa, ao final revela, ao menos no meu entendimento, grande sabedoria, quando diz "fico feliz por você estar retornando para mim" - a frase pode não ser exatamente esta, mas o conteúdo sim. Em participações brevíssimas, Cristina Rudolph e Rubens Araújo extraem o possível de seus personagens.

No complemento da ficha técnica, são de excelente nível a direção de arte de José Dias, os figurinos de Anna Cecília Cabral e a trilha sonora de Bernardo Gebara, que realiza uma espécie de rondó com trechos do segundo movimento do Concerto nº 2 para piano e orquestra de Sergei Rachmaninoff.

BREVE ENCONTRO - Direção e adaptação de Eduardo Wotzik. Com Carla Ribas, Fernando Arze, Paulo Giardini, Cristina Rudolph e Rubens Araújo. Teatro dos Quatro. Terças e quartas, 21h30.

Escrito por wotzik às 16h43
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29/10/2011


Por que é que morre justo quem está vivo? Tanto morto por aí.

Escrito por wotzik às 20h35
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28/10/2011


A morte atrapalha a vida de todo mundo.

Escrito por wotzik às 23h31
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25/10/2011


O SUJEITO TE DÁ UM TIRO. VOCE FICA MESES NO HOSPITAL E AINDA TEM QUE PAGAR A CONTA. ASSIM ANDA O MUNDO.

Escrito por wotzik às 11h28
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24/10/2011


 

Um rapaz marcou um encontro comigo que ele queria conversar, que ele queria muito começar alguma coisa, ele queria que eu ouvisse suas idéias, queria realizar mas não sabia por onde começar, então marcou comigo as três horas e eu fui. Cheguei dez para as três, subi e fiquei esperando. Três e quinze nada, três e meia nada, quatro e quinze comecei a achar certo abuso. Telefonei. E então? Então o que?Meu rapaz eu estou te esperando aqui a mais de uma hora. Esperando onde? Eu estou aqui embaixo desde as três horas. Não esta não. Estou sim. Estou aqui embaixo a mais de uma hora e não consigo subir. Ta maluco, eu falei. Maluco nada! A porta esta fechada. Que fechada? Eu já estou aqui em cima a mais de uma hora e a porta esta aberta. Você que esta maluco. Eu estou aqui diante dessa porta de vidro a mais de uma hora e ela esta fechada e eu não tenho como subir. Meu rapaz, eu te garanto, a porta é automatica, é só dar o primeiro passo que ela abre.

 

EDUARDO WOTZIK

 

 

 

Escrito por wotzik às 14h56
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09/10/2011


Eduardo Wotzik/Divulgação

04-10-2011 ////////

EDUARDO WOTZIK

Diretor também assina o texto de 'Breve Encontro'

Considerado um dos mais destacados diretores de sua geração, Eduardo Wotzik é responsável também pela adaptação do texto de “Breve Encontro”, em cartaz no Teatro dos Quatro. Sua trajetória profissional é marcada pela diversidade de gêneros visitados, que resulta em espetáculos completamente diferentes entre si. A nova peça, uma livre adaptação de uma história do ator, compositor e dramaturgo britânico Noel Coward, se passa na Inglaterra no início do século 20. Como o título demonstra, trata-se de um breve encontro que muda a vida de uma típica dona de casa e de um médico, que vivem uma intensa paixão. Confira a entrevista com o diretor.

De onde surgiu a inspiração para escrever a história?
“Breve Encontro” é uma livre adaptação de uma história de Noel Coward. Uma história de amor. Também de paixão. Paixão como Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Ana Karenina, Madame Bovary. Paixão como “sofrer com” que é o que a palavra do latim significa. “Breve Encontro” é uma história de paixão. E também de amor. Da dor e da alegria de se estar amando. Do amor como comunhão, como encontro. Possível. Amoroso. Para sempre. A peça, como seu título, revela aqueles breves e marcantes encontros que temos, dos quais não podemos e não queremos esquecer jamais. Aqueles instantes de puro afeto tão necessários à vida.

Que emoções espera despertar no público que assistir à peça?
“Breve Encontro” é uma história de amor. Destas de tirar o fôlego. De parar o tempo. E espero proporcionar ao público um espetáculo amoroso, belo, preto e branco, inesquecível, repleto de afeto e reflexão. Um breve e amoroso encontro entre os personagens de nossa história, entre os espectadores que habitarão a sala de espetáculo e, ainda, entre o público e a peça.

Em sua peça anterior, “Estilhaços”, você levantava uma discussão sobre questões éticas contemporâneas. Em “Breve Encontro”, há a proposta de algum outro debate? Qual? 
“Breve Encontro” vem à cena para falar das escolhas. Dos relacionamentos. Da angústia. Da culpa. Do interesse pelo outro. Da gênese invisível da paixão. De filhos. Do amor aos filhos. Do casamento. Do compromisso. Da responsabilidade. Da construção indestrutível. E da manutenção da família. Um espetáculo para falar daqueles breves e inesquecíveis encontros que temos na vida. Breves por serem raros. Essenciais. Instantâneos. Faísca. Um átimo capaz de iluminar, justificar e encher de energia uma vida.

Em tempos de relacionamentos cada vez mais virtuais, você acredita que um caso como o de Laura e Alec poderia acontecer nos dias atuais? 
A história de Laura acontece todos os dias, a toda hora, em todos os lugares do mundo. A cada milésimo de centésimo de segundo uma chama de paixão está sendo ativada em algum lugar e é isso que aquece a humanidade. E é por isso e sobre isso que quis fazer esse espetáculo que tem um tema e uma história tão atemporal e universal.

Em que a obra “Breve Encontro” se diferencia dos demais espetáculos de sua autoria? 
Ah, o Teatro! Que lugar mágico capaz de me levar a tantos lugares, conviver com tantas pessoas e culturas sem me tirar do lugar. Já estive em Tróia, numa sala de estar americana, numa pradaria na Espanha, no tribunal de Frankfurt, dentro do Teatro Trianon me divertindo com aqueles comediantes maravilhosos, e em outros tantos mundos. Viva o Teatro! Que me permite agora dialogar com as histórias de amor, com os melodramas, com os filmes clássicos, com o “noir”, e poder ir revelando esse “Breve Encontro” lentamente diante da câmera cênica escura, como um fotograma, como num laboratório da imagem.

Como você vê a nova geração de autores cariocas, da qual faz parte? Já conquistaram seu espaço? O que este movimento trouxe para a produção teatral? 
Não me considero um autor de teatro. Não tenho uma obra que me habilite a assinar como tal. É uma profissão das mais difíceis e eu respeito demais quem respira dramaturgia. Sou um diretor de teatro. Eu escrevo a cena, é diferente. Acho também que há muita precipitação, talvez porque somos tão carentes nessa área, em chamar autor aquele que escreveu duas ou três peças. Para mim autor de teatro tem que ter uma obra. E para se tornar um, o mais importante é que o sujeito que se propõe a escrever uma peça possa ter espaço para montá-la e se relacionar com os atores e público para, assim, aprender com elas. Nesse sentido, acho que estamos caminhando muito bem. Cada vez vemos mais textos escritos por brasileiros sendo montados. É só olhar no serviço dos jornais que trazem as listas das peças. O Brasil é um prato cheio para um dramaturgo atento.

Escrito por wotzik às 22h49
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01/10/2011


Escrito por wotzik às 14h03
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22/09/2011


SEDE DE ENCONTRO

 

Vez por outra sinto uma sede de encontro. Daqueles em que você encosta em alguém, e a pessoa se abre imediatamente, e você fala “oi”, e ela deixa escapulir um sorriso que diz, ai que bom, e então, você responde, e ela diz, ai que bom, e você, ai que bom, faz umas piadas e ela te conta uma coisa e, ai que bom, você propõe um cinema, e ela pode, e você marca, e liga, e ela está, e ela atende, e ai que bom, lá está ela no local e hora marcados, e ai que bom, que o filme é chato, e vocês ficam conversando no cinema, e você pega na mão dela, e ela se ajeita no seu ombro, e há encaixe, e é melhor olhar pra ela do que olhar o filme, e então, sorrisos, e mais sorrisos, e ela percebe num olhar, que é melhor viver que assistir, e então, vocês saem do cinema e, vão pra casa, e beijo, que ela beija, e você beija e, ai que bom, que ela te abraça, e você a abraça, e colocam um som, e dançam, e combina, e encaixa, e o cheiro, e a pele, e dois pra lá, e caem na cama, vão tirando a roupa, e ai que bom. 

 

Escrito por wotzik às 23h00
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16/09/2011


EMPOLGANTE! VIBRANTE! EXTRAORDINÁRIO!

UMA HISTÓRIA INESQUECÍVEL! UM ENCONTRO MEMORÁVEL!

UMA DAS MAIS BELAS HISTÓRIAS DE AMOR DE TODOS OS TEMPOS! DIVERTIDO!

Vem aí!

“BREVE ENCONTRO”

 

COM CARLA RIBAS, FERNANDO ARZE, PAULO GIARDINI, CRISTINA RUDOLPH E APRESENTANDO RUBENS ARAUJO EM VARIADOS E INESQUECÍVEIS PERSONAGENS.

 

UM ESPETÁCULO ENVOLVENTE!

ARREBATADOR!

 

DIREÇÃO GERAL EDUARDO WOTZIK

Escrito por wotzik às 09h03
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13/09/2011


Nunca bati em mulher. Sempre me recusei. Mesmo quando me pediram. 

Escrito por wotzik às 10h17
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31/08/2011


 

ÀMAITÊ

quem foi joana angélica?, e garcia davila?, e ataulfo de Paiva?, e vieira Souto?médico, anibal de mendonça?, afrânio de mello franco?, prudente de morais? presidente, que fez o que? o mesmo que todos, virou nome de rua, atlântica? quem foi atlântica?, mulher do atlântico?, realengo eu sei é por que era real engenho (engo) e o pessoal passava correndo e juntou tudo pra facilitar, barão da torre, nobre brasileiro que vivia isolado numa, e niemeyer todo mundo sabe que ta vivo até hoje, ou essa niemeyer não é o niemeyer?, farme de amoedo presta atenção que essa ninguém sabe ninguém viu, e ainda tem são cristóvão, santa catarina, cu(o)ritiba, terezina, são luis, que santo é esse? aracaju? rio de janeiro é porque já virava um nessa época do ano, eu sei, estudei no alencastro guimarães, que eu não sei quem é, depois cócio barcelos que também não e tenho um irmão na shakes sei lá o que e que se enrola todo já no cabeçalho, enfim, san martin quem foi?, que ta fazendo no Leblon?, graças a deus tem uma rua chamada Leblon que fica no Leblon, que quer dizer não sei, henrique dumont? que chique!, barão de ipanema é em copacabana e eu não sei quem foi nem o barão nem ipanema e por que copacabana chama copacabana e não tijuca, e lido? particípio passado de ler?, na esquina da rua siqueira campos quem é com domingos ferreira sei não tem uma varanda só no sétimo andar, enfim, quem foi a rainha guilhermina?, e o barão de jaguaripe?, alberto de campos?, sadock de sá?, o conde de bernadotti?, deus?, feliz de quem mora na esquina do prudente com o imprudente de morais e assim consegue se saber, e ainda bem que a tal de maite (que nome!) mora no chopin que esse eu sei, qualquer brasileiro sabe, que atire a primeira pedra quem já não bebeu um.

 

Escrito por wotzik às 12h36
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16/08/2011


Pelo amor de Deus, quando eu escrevo que acho a vida uma merda isso não significa que eu ache a vida uma merda!

Escrito por wotzik às 09h48
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29/07/2011


"Quando essa cidade virar um cidadão,

Vou me sentir cidadão,

Ou essa cidade só vai virar um cidadão,

Quando me sentir cidadão."

 1 - QUE TAL MANTER A FISCALIZAÇÃO NA ORLA DE IPANEMA E LEBLON. OS QUIOSQUES
DENTRO DA AREIA QUE FORAM PADRONIZADOS JÁ ESTÃO COMPLETAMENTE
DESCARACTERIZADOS, TERCERIZADOS E VIRARAM MINI FAVELAS MUITO PESSOAIS, COM
PIXAÇÕES COM O NOME  E COM UMA DECORAÇÃO HORRÍVEL

 2- QUE TAL FISCALIZAR A QUALIDADE DO MATE SERVIDO EM BUJÃO NA PRAIA. MELHOR.
QUE TAL FISCALIZAR O BUJÃO.

 3 - CADA QUIOSQUE NA PRAIA - DA CALÇADA OU DA AREIA - DEVE SER
RESPONSABILIZADO PELA MANUTENÇÃO DE SEU EM TORNO, O QUE SIGNIFICA LIMPEZA,
SEGURANÇA, ACESSO, E BELEZA. DEVE APROVEITAR INCLUSIVE AS CÂMERAS QUE JÁ
ESTÃO INSTALADAS EM CADA UM DELES PARA QUE O PATRÃO QUE NÃO TRABALHA VIGIE
DE CASA OS SEUS SERVIÇAIS.

 4 - É PRECISO QUE SE INSTALE IMEDIATAMENTE EM TODAS AS CASAS E
ESTABELECIMENTOS COMERCIAS DIFERENTES DESCARGAS, COM DIFERENCIADAS
INTENSIDADES PARA NUMERO 1 E  NUMERO 2. MECANISMO QUE JÁ EXISTE HÁ MUITO NA
EUROPA.

 5 - METRO EM IPANEMA JÁ ESTA BOM. AGORA SÓ NA GAVEA. DEIXEM O LEBLON FORA
DESSES TRANSTORNOS. A HORA DE ABRIR BURACOS PARA METRÔ ERA EM 1940 QUANDO O
MUNDO ERA MAIS CALMO E MUITO MENOS GENTE MORAVA. AGORA, 2011, QUANTO MENOS
MEXER MELHOR.

 6 - QUEM TRABALHA NA ZONA SUL TEM QUE PODER CHEGAR EM CASA EM NO MÁXIMO 20
MINUTOS. ISSO TEM QUE VIRAR LEI. COMO A DO ATENDIMENTO NO BANCO. SE A CIA
QUE TRANSPORTA ULTRAPASSAR O TEMPO PAGARÁ MULTA ESTABELECIDA REVERTIDA AO
CIDADÃO PREJUDICADO. O RIO DE JANEIRO SERÁ SEM DÚVIDA ALGUMA O MELHOR LUGAR
DO MUNDO QUANDO RESOLVER SEUS PROBLEMAS DE TRANSPORTES PARA AQUELES QUE
TRABALHAM E MORAM EM SUA PERIFERIA.

 7 - O AMBULANTE AUTORIZADO TEM QUE TRABALHAR COM CRACHÁ COM NOME E FOTO A
VISTA DA POPULAÇÃO. O MESMO PARA FLANELINHAS E CAMELÔS. A POPULAÇÃO PRECISA
RECONHECE-LOS E PODER CHAMÁ-LOS PELO NOME. 

 8 - QUE TAL A ABERTURA E MAIOR INTEGRAÇÃO DOS FORTES DO EXERCITO COM A
SEGURANÇA AO SEU REDOR. CADA FORTE DEVE SER RESPONSAVEL PELA SUA AREA NUM
RAIO DE 1KM. FEITO ISSO JÁ ESTARIAM COBERTAS GRANDE PORCENTAGEM DA CIDADE.

 9 - É PRECISO QUE CADA ESTABELECIMENTO COMERCIAL SEJA RESPONSAVEL PELA
MANUTENÇÃO, SEGURANÇA E LIMPEZA DA CALÇADA A SUA FRENTE, INCLUINDO OS
CANTEIROS E JARDINS.

 10 - CADA PRÉDIO DEVE SER RESPONSÁVEL PELA MANUTENÇÃO, SEGURANÇA E LIMPEZA
DA CALÇADA, CANTEIROS E JARDINS A SUA FRENTE.

 11 - QUE TAL UMA MALHA DE TRENS PARA AS CIDADES DE VERANEIO. TRENS PARA
PETROPOLIS, TEREZOPOLIS, FRIBURGO, ANGRA, BUZIOS, CABO FRIO. TRENS RAPIDOS E
CONFORTAVEIS FARIAM O PARAISO DE QUEM QUER DESCANSAR E NÃO PEGAR AQUELES
IMENSOS ENGARRAFAMENTOS OU MESMO AJUDAR QUEM MORA LA E VEM TRABALHAR TODO O
DIA, ALÉM DE DESAFOGAR O FLUXO.

 12 - AH! CADA BAIRRO TEM QUE ELEGER DOIS REPRESENTANTES - UM HOMEM E UMA
MULHER - PARA ORIGINAR NOVAS IDEIAS, FISCALIZAR E CUIDAR DO BEM COMUM.

 13 - APOSENTADOS TEM QUE DOAR PARTE DE SEU DIA A SUA COMUNIDADE.

 14 - É PRECISO QUE SE RETIRE IMEDIATAMENTE O HELIPORTO DA LAGOA QUE UM DIA
VAI CAIR EM CIMA DE UMA CRIANCINHA QUE ALI BRINCA. VAI CAIR. UM DIA CAI. E
AÍ É QUE VÃO SE DAR CONTA DO ABSURDO. DOIS HELIPORTOS CHEIOS DE PARQUES AO
REDOR!

 15 - QUE TAL DERRUBAR ESSE PITOCOS DE FERRO, DE CIMENTO QUE ATRAPALHAM O
FLUXO DE CADEIRANTES E OUTROS.

 16 - É PRECISO ESTIMULAR, ORDENAR, NOMEAR, COLOCAR CRACHÁ E CAMISETAS DA
PREFEITURA NOS PEQUENOS GRUPOS DE MUSICA ACUSTICOS QUE CIRCULAM PELOS BARES
E OUTROS LOCAIS DA CIDADE. MAS PRINCIPALMENTE É PRECISO ENSINÁ-LOS A TOCAR.

 17 - QUE TAL ACABAR DE VEZ COM ESSE SISTEMA CONSTRANGEDOR DAS PORTAS
GIRATÓRIAS A ENTRADA DE BANCOS.

 18 - OS DOZE POSTOS DE SALVA VIDAS MONTADOS NA ORLA DE COPACABANA, IPANEMA E
LEBLON TEM DE SERVIR MAIS A POPULAÇÃO AJUDANDO NA PRESERVAÇÃO E SEGURANÇA DO
ESPAÇO PÚBLICO. CADA POSTO DEVERIA TER NO SEU PISO SUPERIOR PELO MENOS DOIS
BOMBEIROS/SALVA VIDAS, UM MEDICO OU ENFERMEIRO PARA PEQUENOS ATENDIMENTOS E
UM POLICIAL PARA DAR SEGURANÇA A TODOS A VOLTA JÁ QUE SE ENCONTRA EM POSIÇÃO
DE VIGILANCIA PRIVILEGIADA. SERVIR REALMENTE COMO POSTOS, DISTRIBUINDO
FILTROS SOLAR E AMOSTRAS GRATIS DE REMÉDIOS, RECOLHENDO ALIMENTOS, ROUPAS E
AGASALHOS PARA DOAÇÃO. E NA PARTE DEBAIXO DUAS FAXINEIRAS RESPONSÁVEIS PELOS
BANHEIROS E PRINCIPALMENTE PELA AREA EXTERNA A SUA VOLTA. TODOS DEVIDAMENTE
NOMEADOS COM CRACHÁS PARA QUE A POPULAÇÃO OS RECONHEÇAM PELO NOME.

 19 - É NECESSÁRIO QUE SE INICIE COM URGENCIA UMA CAMPANHA NAS ESCOLAS E
UNIVERSIDADES, TELEVISÕES E RADIOS A FIM DE ESTIMULAR A PRÁTICA DA CARONA.
"CARONA JÁ!" A MAIOR PARTE DOS CARROS CIRCULAM COM UMA PESSOA APENAS. EU
QUERO SAIR DE CASA EM IPANEMA PRECISANDO IR AO LEBLON, E AO INVÉS DE SER
MAIS UM CARRO CIRCULANDO, POLUINDO, ENGARRAFANDO, QUERO ESTENDER O POLEGAR E
SABER QUE ALGUEM VAI PARAR PARA ME LEVAR LOGO ALI. É CLARO QUE MUITOS NÃO
VÃO PARAR, UNS PORQUE AINDA TEM MEDO, OUTROS PORQUE NÃO ESTÃO A FIM DE
CONVERSAR, OUTROS PORQUE SIMPLESMENTE QUEREM FICAR SOZINHOS, MAS A PARTIR
DESSA CAMPANHA ALGUEM VAI GOSTAR DA IDÉIA E NÃO SE INCOMODAR DE AJUDAR O
PRÓXIMO E AO TRANSITO, E AO PLANETA QUE FICA MELHOR PARA ELE SE MENOS CARRO
SAI DE CASA. "CARONA JÁ." ESSA É UMA DAQUELAS IDÉIAS ABSURDAS QUE PRECISAM
SER DESCASCADAS AOS POUCOS ATÉ SE PROVAREM PERFEITAMENTE VIÁVEIS E LÓGICAS E
APLICÁVEIS.

 20 - ARRUMAR AS PRAÇAS. CUIDAR DAS AREIAS DAS PRAÇAS. É O MÍNIMO!

 21 - NÃO BASTA PROIBIR ANIMAIS EM TODOS OS LUGARES. É PRECISO DAR CONDIÇÕES
DE SAÚDE PARA ELES E PRINCIPALMENTE ESPAÇO PARA QUE ELES POSSAM ESTAR.

 22 - CRIAR UMA PAGINA NA INTERNET PARA CADA BAIRRO. PARA OUVIR SUGESTÕES,
RECLAMAÇÕES E ELOGIOS E PARA QUE A PREFEITURA POSSA DIZER O QUE ESTÁ FAZENDO
E O QUE VAI FAZER NO BAIRRO.

 23 - É PRECISO CONSERTAR CERTOS ERROS TAIS COMO A RUA BARÃO DE IPANEMA NÃO
FICA EM IPANEMA, O CORNETEIRO DA GARCIA DAVILA NÃO É O GARCIA DÁVILA.

 24 - TODAS AS ESCOLAS TEM O DEVER DE ENSINAR AOS SEUS ALUNOS E FAMILIARES
SOBRE O PERSONAGEM HISTORICO QUE DÁ O NOME A ESCOLA.

 25 - TODOS OS MORADORES DA RUA JOANA ANGÉLICA TEM O DIREITO DE SABER E SEREM
INFORMADOS QUEM FOI JOANA ANGÉLICA. POIS É. QUEM FOI JOANA ANGELICA?.

 E SEMPRE LEMBRANDO DAS CAMPANHAS QUE NÃO SAIRAM AINDA DE CARTAZ:

 "PELA PURIFICAÇÃO DAS DROGAS" E "POR UM RIO SEM GRADES"

 E NÃO ESQUECER QUE AS LATAS DE LIXO DA CIDADE SÃO UM LIXO.

COM CARINHO,

 EDUARDO WOTZIK

 

 

Escrito por wotzik às 19h26
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22/07/2011


‎"Mas acontece que eu sorri para ti 
E aí larari larara lariri, lariri 
Pom, pom, pom "
 - MEU DEUS COMO É SIMPLES E ADORÁVEL ESSE TAL DE CHICO BUARQUE. TANTOS TENTANDO E ELE SIMPLIFICANDO MAIS E MAIS E MAIS E MAIS. LINDO DEMAIS. DA VONTADE DE CHORAR SÓ PARA "Ouvir a lágrima cair no chão". VIVA A MUSICA POPULAR BRASILEIRA! VIVA CHICO BUARQUE!

Escrito por wotzik às 17h27
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E não esquecer que a ciência mais importante é a Pa ciência.

Escrito por wotzik às 13h22
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10/07/2011


PARA SE FAZER UM BOM POEMA

É PRECISO QUE CADA VERSO

- QUE SE INICIA - 

PRENDA A AFEIÇÃO DA ALMA 

- QUE LIVRE -

TE PROCURA.

Escrito por wotzik às 20h33
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08/07/2011


Um dia, depois de odiar muito uma pessoa, descobri que o ódio é uma manifestação do afeto. E que o afeto, é a ligação com o outro, não importa em que forma do sentir. Afetividade e amor são sempre confundidos. É, que tenho afeto por quem amo, e tenho afeto por quem odeio. Em geral, me culpo por ter afeto, por quem me fez mal, e por isso me machuco. Mas, se meus sentimentos, que chamo negativos, vem sem culpas, repletos de afetividades, então, sou livre.

Escrito por wotzik às 14h51
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27/06/2011


PROFISSÃO: DO CONTRA.

Escrito por wotzik às 18h28
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14/06/2011


Tem dias que a tragédia é se jogar na cama e perceber que o controle ficou lá junto a televisão.

Escrito por wotzik às 17h42
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13/06/2011


OU VOCE SE TRABALHA OU A VIDA TRABALHA VOCÊ.

Escrito por wotzik às 19h10
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06/06/2011


O mundo piorou muito depois que inventaram a arma de fogo.

Escrito por wotzik às 12h59
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23/05/2011


 

FAÇA VOCÊ MESMO A SUA ENQUETE.

Outro dia eu estava ótimo, tranqüilo, a vida mansa, sem stress, contas pagas, filhos na escola, uma amiga da amiga da amiga da minha amiga, passando o dia na minha casa pegou um livro da minha estante e começou a rir alto dizendo “olhem o nome desse autor, Fiodór, Fiodór, de não sei o que, meu Deus, que engraçado, cada nome, ela disse, Fiodór Dostroveski!” Parei. Pasmo. Sem acreditar no que ouvia e via. E não sei por que me senti tão agredido por aquela criatura de 35 anos, boa aparência, que tinha estudado nos melhores colégios, dinheiro e família em condições, faculdade, universitária, engenheira por profissão, vivente em 2011, com acesso ao Google, minha amiga (?) não saber quem era Dostoievski. E não era não conhecer sua obra, normal, não ter lido um livro sequer, normal (?), mas é que ela não sabia nem que existia um escritor com esse nome. Não sabia. Fiquei muito chateado com aquilo, resolvi não deixar passar, e indignado disse que aquilo era ignorância, burrice não, ignorância. Demais da conta. Além do limite. Falei. Não agüentei. Me exaltei. Falei. E ela ficou puta. Comigo. Disse que eu estava sendo grosso, arrogante, que só porque eu era diretor de teatro me achava melhor que todo mundo, que ela não tinha a obrigação de saber quem era Dostoievski, que aquilo não fazia parte da sua área de interesse, que ninguém da geração dela sabia, que isso não era motivo para minha mistura de irritação com indignação, que assim eu estava humilhando e ofendendo ela - e aí que ela quase que acertou o nome de um dos livros - e se retirou batendo a porta e me deixando lá em silêncio e só, chateado pra caramba, com o “coração fraco”, um remorso corroendo a pele, triste, com a sensação de que estava tendo um “castigo” por um “crime” que não era meu, febril, quase achando que ela tinha razão, que essa “pobre gente” tinha razão, que Dostoievski a parte, o “Idiota” era eu.

 

Ps1: No dia seguinte recebo mensagem no celular: oi. tudo bem? estou aqui num churrasco dos “Karamazov” em Itaipava, perguntei a todo mundo se conheciam Dostoievski e só os velhos conheciam. De qualquer forma valeu, não estou chateada com você não, de qualquer maneira foi super divertido, a enquete se transformou em assunto, e acabou que o Dostoievski animou a festa. “Possesso”, comecei minha enquete. Minha filha sabia. Minha “Nietochka”. Minha empregada também. Meu porteiro não.

Ps2: Agora mudando de assunto e continuando no mesmo, sei lá, não consigo imaginar, “jogador” que sou, que aja ser humano adulto nesse planeta, que alimentado, não tenha ouvido falar em Pele, Sócrates, Platão, Nietzsche, Beethoven, Stones, Bach, Shakespeare, Beatles, Picasso, Dali, Modigliani, Tolstoi, Ronaldinhos e Mozart. Que não saiba jogar dama, buraco, fazer palavras cruzadas, um pouquinho de futebol, vôlei, basquete, queimado, war, tótó, ping pong, mico, burro em pé, mata mata, andar de bicicleta, dirigir, usar o computador, pescar.


Escrito por wotzik às 17h47
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Eu não tenho nada com isso, mas entrar no pais alheio, explodir uma casa, e matar todo mundo, não é terrorismo? Não teria que prestar contas? A ONU? A OTAN? A DEUS? Eu não tenho nada com isso, mas sob que Justiça americana foi morto um homem? Qual estado de direito americano permite que se mate um homem sem julgamento? Eu não tenho nada com isso, mas é imprescindível que se assista um filme chamado Mera Coincidência para que se tenha a verdadeira dimensão do que a mídia pode fazer com a História. Não tenho nada a ver com isso, mas poderiam me dizer que e quantos acordos foram feitos para que a inteligência americana (que de inteligente não tem nada vide o resultado brutal da empreitada) chegasse a esse fim? Será que incluíram Ipanema no negócio? Se esperamos dez anos para matar o cara, não podíamos esperar mais dez e trazê-lo vivo para o Ocidente? Cadê o corpo? Para servir de exemplo de e para a Humanidade. Que medos tem os americanos de que ele possa se transformar num Mártir? Por que o mundo do terror não convoca um dos milhares de sósias do cara e faz um vídeo com ele dizendo: “Eu não morri!” E desmoraliza, derruba de uma só vez a credibilidade do governo do Tio Sam e da mídia do mundo inteiro. Por que será que não fazem isso? Obrigaria a apresentação de provas concretas. E seria uma forma inteligente de derrubar duas torres, pilares do Império americano com um só vídeo, ao invés de usar aviões e vidas humanas. Eu não tenho nada com isso, mas será que só há gente inteligente no ocidente? Eu não tenho nada com isso, mas não era o Bush que era bélico? Esse que ta aí não é um negro que vem de uma origem humilde e portanto deveria compreender as diferenças? Que Guerra contra o Terror é essa que o sujeito manda invadir a Líbia por telefone enquanto ve a vista da Cidade de Deus pela janela do automóvel? Talvez não seja a toa que a diferença entre um e outro seja de apenas uma letra. E esse povo americano? Milhares de jovens comemorando o dia em que serão mais uma vez convocados e mortos, aleijados ou traumatizados por mais uma investida americana em território alheio.  Eu não tenho nada com isso mas fico imaginando essas imagens do povo americano nas ruas sendo mostrada por uma emissora árabe de um país qualquer e o telespectador pensando: “nossa! precisamos combater o fanatismo.” E se é inegável que o mundo islã ainda vive sob regras tribais, também é inegável que o mundo norte americano ainda vive sob as regras do velho oeste. Enfim, eu não tenho nada com isso, ou será que tenho?

Escrito por wotzik às 17h32
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09/05/2011


Num primeiro momento eu achava que os governos árabes deveriam vir a publico para mostrar que o Osama não morreu e assim desmoralizar para sempre o Presidente dos Estados Unidos e a Mídia ocidental. Mas agora andei pensando que se Osama não morreu realmente a melhor e mais inteligente atitude a tomar é dizer ao mundo que ele morreu que assim ele pode tirar a barba e ir fazer compras em Miami e levar sua penca de filhos a Disney que o bicho não agüentava mais aquelas crianças puxando sua barba e pedindo para ir ver o Mickey.

Escrito por wotzik às 14h46
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08/05/2011


Mãe: melhor tê-las!

Escrito por wotzik às 18h06
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05/05/2011


conclusão: é possível ser sério sem deixar de sorrir.

Escrito por wotzik às 23h43
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02/05/2011


Contaram-me certa vez a historia de que até um determinado presidente o que era emitido de notas americanas correspondiam ao exato valor em barras de ouro guardadas no Tesouro Americano. E que a partir de determinado momento resolveu-se por desassociar uma coisa da outra e então o dinheiro virou uma abstração. Assim tentou com enorme esforço me explicar um economista em Portugal. Negocio de papéis, duplicatas etc. O dinheiro em pouco tempo voltará a ser o que ele já é a algum tempo: virtual.

Escrito por wotzik às 22h10
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É incrível como num tempo tão curto aquele que se constituía o lugar mais cheio e efervescente do pedaço, onde se formavam filas e mais filas, onde gerente era uma estrela, um caixa amigo um trunfo, esse mesmo espaço vai se tornando pouco a pouco um espaço vazio e desnecessário.  

Escrito por wotzik às 21h11
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E a nota de dinheiro? A verdade é que em poucos anos a nota de dinheiro desaparecerá. Assim também as moedas, os níqueis, as patacas, os dobrões, tão antigas companheiras. E as próximas gerações nem saberão o que é isso. “Dinheiro? O que era? Usava pra que?” 

 

Escrito por wotzik às 20h31
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01/05/2011


 

tudo é verídico até que vire ficção.

 

Escrito por wotzik às 19h22
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25/04/2011


Há uma enorme semelhança entre o artista e o homem que vê o pião rodar.

Escrito por wotzik às 19h11
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13/04/2011


“ Cheguei num lugar que não era Teatro, fui andando até entrar num espaço que não era Teatro, onde encontrei quatro atores não vestidos de Teatro, numa luz que não era de Teatro, falando um texto que não era Teatro e de repente, quando menos esperava, aconteceu o Teatro. “

 (COMENTARIO FEITO EM CURITIBA SOBRE O ESPETÁCULO “ESTILHAÇOS”)


 

Escrito por wotzik às 14h08
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11/04/2011


E o mundo se divide entre os que tem dúvidas e os que tem dívidas.


 

Escrito por wotzik às 14h25
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01/04/2011


E VIVA O BRASIL!

ONDE O ANO INTEIRO É PRIMEIRO DE ABRIL! 

mestre Millôr Fernandes

Escrito por wotzik às 12h48
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30/03/2011


Outro dia eu fui a um restaurante, resolvi impressionar e pedi um vinho de R$ 84,00. Achei ele muiito bom, delicioso leve, encorpado, caiu bem demais, sofisticadíssimo, achei ele o máximo. Também por esse preço! Valeu. O ambiente gostoso. O papo agradável. O coração tranqüilo. A cabeça tranqüila. A mente tranqüila, a conversa caiu por um instantinho no vazio, deu aquele silêncio, fiquei sem saber o que fazer com as mãos, resolvi folhear. A carta de vinho. Quem mandou. Lá estava ela. Logo a primeira da lista. Uma garrafa. E seu respectivo preço. R$ 37.000,00. Glup! Meu Deus, como será esse vinho de 37.000 reais que abre a carta. Eu sei, todo mundo sabe, que pagar isso por um vinho é um absurdo, tanta gente precisando, passando fome, blablablablablabla, etcs e tal, mas presta atenção que não é disso que se trata. Se eu to achando o de R$ 84 maravilhoso a que distancia eu ando desse de 37.000? Quanto será que eu tenho ainda que galgar para perceber que esse que eu to achando o máximo é um lixo? E que gosto terá? Eu preciso saber. Que gosto terá? Que paladar sofisticado esse que existe e eu nunca poderei experimentar. Vai ver que é esse o vinho que coloca o homem em estado de Dionísio, que eleva o homem a condição de semi deus, e não esses sangues de boi que eu ando tomando e tentando que me leve as alturas e me frustrando e me enchendo de dores físicas e morais ao fim de cada nova tentativa.  E não me venham com essa de que o vinho não vale isso, que isso é besteira, que a disparidade entre 84 e 37.000 é muito grande para que não exista realmente a diferença. Quem paga por alguma coisa que não vale é a classe media, rico só paga se vale, e por isso é que ele é rico. Fiquei tonto. O sujeito que pediu esse vinho colocou ele em cima da mesa, me contou o garçom, e ficou olhando, olhando para ele, olhando a noite inteira. Depois o levou para casa, me contou o manobrista que abriu a porta do carro para o vinho que foi recostado e com cinto de segurança no banco do carona. A partir daí não se teve mais noticias sobre seu paradeiro, mas presume-se que ainda esteja por lá na estante de troféus ou mesmo deitado num lado da cama controle na mão tomando champagne semi encoberto por um edredon. Ah, Meu Deus, o que que eu faço? Será que nunca saberei? Que eu não tenho e acho que nunca terei trinta e sete mil reais para dar num vinho. Me deram uma idéia. Pedir aquele moço que comprou que nos narre a experiência. Formar uma turma e nos sentar em semi circulo e procurar desesperadamente saborear cada palavra - repleta de sentido gustativo - que ele proferir. Mas isso é Teatro. E eu não quero Teatro, eu quero é vida. A coisa em si. A experiência da coisa em si. E olha o que eu com apenas um clique no Google descobri: 1. Château Lafite Rothschild 1787 Valor:$156.450 / 2. Château d’Yquem 1811 Valor:$100.000 / 3. Penfolds Grange Hermitage 1951 Valor:$38,420 / 4. Cheval Blanc 1947 Valor:$33.781 / 5. Château Mouton-Rothschild 1945 Valor:$28.7506. / 6. Inglenook Cabernet Sauvignon Napa Valley 1941 Valor:$24.675 / 7. Montrachet Domaine de la Romanée Conti 1978 Valor:$23.929 / 8. DRC Romanée Conti 1934 Valor:$20.145 /9. Hermitage La Chapelle 1961 Valor:$20.130 / 10. DRC Romanée Conti 2003 Valor:$4.650. Pronto. Não adianta. Eu não vou conseguir. Não tem como. Dane-se. Eu não queria mesmo. Eu nem gosto de vinho. Me dá azia. Dor de cabeça. Sono. Descobri. Hic! Descobri como tomar esse vinho, experimentar seu aroma, degustar seus perfumes. Vou reunir 10 pessoas que pagarão 3.700 reais para tomar uma taça. Pronto. Ou não será melhor 100 pessoas que pagarão 370 e tomarão um gole? Já sei. Vou começar uma campanha para angariar 1.000 pessoas para pagar R$ 37 e tomar uma gota que será distribuída por adegas especializadas num conta gotas devidamente esterilizado e preparado para receber o liquido, e então eu saberei. Chateau lafite que me aguarde. E passarei um ano sem colocar nada na boca para não perder o gosto. E não salivarei nunca mais. E acompanharei, repetindo silenciosamente o mantra, o percurso do liquido pelo meu corpo. Oh, gota que deslizante me fez poeta. Oh, gota amada, que por mim passou; Oh, gota amada, que passou por mim e evaporou; Oh, gota amada, que por mim passou, evaporou, e deixou saudade.

Escrito por wotzik às 12h19
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16/03/2011


O QUE SERÁ QUE VAI FICAR PRONTO PRIMEIRO, O JAPÃO, TERESÓPOLIS OU O MARACANÃ?

Escrito por wotzik às 17h58
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13/03/2011


 as-salaamu aleikum

Assim se cumprimentavam os migrantes de origem árabe quando se encontravam em qualquer canto do Brasil. O cumprimento que significa a paz esteja contigo vinha sempre acompanhado de uma mesura. Assim era porque assim é e foi sempre assim em suas casas, em suas ruas, em suas cidades e ruelas e tribos. Pois então o brasileiro via aquilo, diferente, e lógico resolvia sacanear, achava aquilo uma bichice, uma mesura cheia de nhenhenhém, cheia de trêlêlê, bota maldade e cria a palavra salamaleque que significa “tratamento cortês exagerado ou pomposo, geralmente  usado em tom de chacota, frescura, trejeito, fulaninho é cheio de salamaleques”, enfim, transforma um gesto cultural bacana milenarmente usado numa palavra depreciativa e totalmente destituída do seu conteúdo original. E isso é engraçado até deixar de ser. E é assim que rindo os ignorantes por ignorância chamam os outros de ignorantes. É humor brasileiro até que doa no outro. E sempre bom lembrar que muito do que aqui nasce brincadeira e permanece brincadeira nos estados unidos eles levam a serio e são capazes de matar o vizinho porque tem costumes diferentes. Porque ele não diz ok, porque não se cumprimentam usando aquele festival de apertos de mãos e sim um leve inclinar com o corpo, porque ele se encharca de chá em vez de cerveja, porque dorme em tatame e não usa colchão. E o fato do sujeito poder ter mais de uma mulher que por aqui alardeamos como absurdo, machismo, falta de moral, crime, sem vergonhice, safadeza, filha da putisse, lá eles chamam de tradição e foi criado porque nas tribos os homens saíam para a guerra e quando voltavam encontravam vinte mulheres para cada homem sobrevivente então qual a única solução obvia e pragmática para reproduzir e aumentar a população da tribo ou mesmo para satisfazer a libido daquelas mulheres que histéricas esperavam tempos por um homem? as-salaamu aleikum - que a paz esteja contigo. A internet esta fazendo um estrago irreparável as culturas. Finalmente o imperialismo vai atingir seus objetivos e o ocidente vai dizimar culturas milenares num clique. Quanto o mundo não gastou com armas, e invasões, e guerras frias, e espionagens, e tanques, e navios, e aviões, e vidas inutilmente?  Quem podia imaginar. Que essa guerra seria vencida assim. Por penetração de webcams, por infiltração de RAM, por manobras de mouse, pelo tatatata das teclas. Senhoras e senhores pasmem: A internet é que é o vírus. as-salaamu aleikum - que a paz esteja contigo. E então é adeus as diferenças. Vai ficar tudo igual e ocidental. E aquele fenômeno que vemos se expandindo na China e Japão, um monte de olhos puxadinhos vestidos de americanos, como vimos um monte de índios vestidos de portugueses, indianos de ingleses, vamos assistir a civilização árabe com letreiros em neon nas casas, homens e mulheres com o Popeye tatuado, sapatos altos e calças jeans, bermudão e tênis, cuecas Calvin Klein, fio dental e burca, comendo bacon com ovos pela manhã, chesburguer a tarde, pizza de noite e em dez anos ou menos uma epidemia gástrica dizimará inexplicavelmente aquela gente que vai ter que importar omeprazol e derivados dos laboratórios farmacêuticos do ocidente. É assim quando tentamos fazer traduções culturais sem respeitar nem conhecer suas origens. Quando não entendemos que aquilo que chamamos ditadura por exemplo é resultado de milênios de experiência que nos assustam, conclusões a que aquela parte da humanidade chegou. E que o que eu posso achar errado para minha vida não precisa ser necessariamente ruim para a vida do meu vizinho. E eu não tenho que me meter que ninguém me perguntou nada. E se alguém discordar do que eu digo, não se aborreça, que como bem sabem eu discordo de mim. Que quem mata o diferente morre um pouco também. Salamaleque!

Escrito por wotzik às 17h54
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