O REI E A ÉTICA PERDIDA
Há muitos e muitos anos atrás,
era uma vez,
um rei da humanidade.
Vivia tão tranqüilo
Que passava tardes inteiras
jogando xadrez, sem rei, com seu bufão.
Certo dia, como um tufão, irrompeu em seu salão
uma mulher desesperada que, entre lagrimas, dizia:
“Uma peste, uma tragédia,
uma epidemia se anuncia!
Majestade, augusto rei:
A voz do povo esta sumindo,
a fala anda fraca, sem valor.
Tudo começou aos poucos e
veio se alastrando pelas casas, pelas ruas.
A humanidade está perdendo a voz.”
O rei, sem saber como agir,
Correu a seu oráculo,
que já com a voz enfraquecida, anunciou:
“É preciso recuperar a ética perdida.”
Foi então que o bobo da corte partiu urgente
deixando o rei esperando e a humanidade doente.
Percorreu cinco continentes,
vasculhou o tempo, sem nada encontrar.
Procurou nos cantinhos do mundo.
Estava exausto, sentou pra chorar.
E sentado, por fim avista,
numa ilha no meio do oceano,
um homem em posição de lótus, em silencio,
há pelo menos dois mil anos.
Resolveu se aproximar e
sentar ao seu lado
e começou a meditar.
Foi quando o homem lentamente,
num único e preciso movimento,
tirou debaixo de si uma caixinha e entregou ao bobo.
Em três cambalhotas e dois mortais
o bobo voltou a presença do rei que já quase mudo o recebeu.
O rei da humanidade então abriu a caixinha que a ética continha
e tirou de lá um punhado de pó que segurou firme com uma das mãos.
Percebeu então,
que no fundo do fundo havia uma inscrição:
“Segure com firmeza que ela se esvai quando você se distrai”
Felizes e contentes com a volta da fala do rei
todo o reino começou a aplaudi-lo
e um por um , recuperar a voz que havia perdido.
Mas, foi então que o rei da humanidade,
que ainda segurava o pó com uma das mãos,
envaidecido pelos aplausos,
num gesto inesperado,
deixou o pó cair no chão
quando começou a se aplaudir também
e fim.